O autoconhecimento, através das luzes de imortalidade que se
espraia dos fundamentos espíritas, é um mapa de como chegar ao "eu
verdadeiro", à consciência. Todavia, essa viagem não pode ser feita
somente com o mapa, necessita de suprimentos morais preventivos e
fortalecedores, necessita de uma ética de paz consigo próprio. Somente se
conhecer não basta, é necessário um intenso labor de auto-aceitação para não
cairmos nas garras de perigosas ameaças nessa "viagem de retorno a
Deus", cujas mais conhecidas são a culpa, a autopunição e a baixa
auto-estima, as quais estabelecem o clima psicológico do martírio.
É preciso uma ética que assegure à transformação pessoal um
resultado libertador de saúde e harmonia interior. Tomar posse da verdade sobre
si mesmo é um ato muito doloroso para a maioria das criaturas.
À guisa de sugestões
maleáveis, consideremos alguns comportamentos que serão efetivos roteiros de
combate, vigília e treinamento para instauração das linhas éticas no processo
autotransformador:
POSTURA DE APRENDIZ
- jamais perder o viçoso interesse em buscar o novo, o desconhecido. Sempre há
algo para aprender e conceitos a reciclar. A postura de aprendiz se traduz no
ato da curiosidade incessante, que brota da alma como sendo a sede de entender
o universo e nossa parte na "dança dos ritmos cósmicos". Romper com
os preconceitos e fugir do estado doentio da auto-suficiência.
OBSERVAÇÃO DE SI MESMO -
é o estudo atento de nosso mundo subjetivo, o conhecimento das nossas emoções,
o não julgamento e a auto-avaliação constante. Tendemos a avaliar o próximo e
esquecer do serviço que nos compete, no entanto, relembremos que perante a
imortalidade só responderemos por nós, no que tange ao serviço de edificação
dos princípios do bem na intimidade.
RENÚNCIA -
a mudança Íntima exige uma seletividade social dos ambientes e costumes, em
razão dos estímulos que produzem reflexos no mundo mental. No entanto, a
renúncia deve ampliar-se também ao terreno das opiniões pessoais e valores
institucionais, para os quais, freqüentemente, o orgulho nos ilude.
ACEITAÇÃO DA SOMBRA - sem
aceitação da nossa realidade presente, poderemos instaurar um regime de
cobranças injustas e intermináveis conosco e posteriormente com os outros. A
mudança para melhor não implica em destruir o que fomos, mas dar nova direção e
maior aproveitamento a tudo que conquistamos, inclusive nossos erros.
AUTOPERDÃO - a
aceitação, para ser plena, precisa do perdão. Recomeço é a palavra de ordem nos
serviços de transformação pessoal. Sem ela o sofrimento e a flagelação poderão
estipular provas dolorosas para a alma. É uma postura de perdão às faltas que
cometemos, mas que gostaríamos de não cometer mais.
CUMPLICIDADE COM A
DECISÃO DE CRESCER - o objetivo da renovação espiritual é gradativo e exige devoção.
Não é serviço para fins de semana durante a nossa presença nas tarefas do bem,
mas serviço continuado a cada instante da nossa vida, onde estivermos. Somente
assumindo com muita seriedade esse desafio o levaremos avante. Imprescindível a
atitude de comprometimento com a meta de crescimento que assumimos. Somos
egressos de experiências frustradas no desafio do aperfeiçoamento pessoal,
portanto, muito facilmente somos atraídos para ilusões variadas. Somente com
severidade e muita disciplina construiremos o homem novo almejado.
Vigilância - é a atitude
de cuidar da vida mental. Cultivar o hábito da higiene dos pensamentos, da
meditação no conhecimento de si, da absorção de nutrição mental digna nas boas
leituras, conversas, diversões e ações sociais. Vigilância é a postura da mente
alerta, ativa, sempre voltada a ideais enriquecedores.
ORAÇÃO -
é a terapia da mente. Sem oração dificilmente recolheremos os germens divinos
do bem que constituem as correntes de Energia Superior da Vida. Através dela,
igualmente, despertamos na intimidade forças nobres que se encontram
adormecidas ou sufocadas pelos nossos descuidos de cada dia.
TRABALHO -
os Sábios Guias da codificação asseveram que toda ocupação útil é trabalho. Dar
utilidade a cada momento dos nossos dias é sublime investimento de segurança e
defesa aos projetos de crescimento interior.
TOLERÂNCIA -
toda evolução é concretizada na tolerância. Deus é tolerância. Há tempo para
tudo e tudo tem seu momento. Os objetivos da melhoria requerem essa
complacência conosco para que haja mais resultados satisfatórios. Complacência
não significa conivência ou conformismo, mas caridade com nossos esforços.
AMOR INCONDICIONAL - aprender
o auto-amor é o maior desafio de quem assume o compromisso da reforma íntima,
porque a tendência humana é desgostar de sua história de evolução, quando toma
consciência do ponto em que se encontra ante os Estatutos Universais da Lei
Divina. Sem auto-amor a reforma Íntima reduz-se a "tortura Íntima".
Aprender a gostar de si mesmo, independente do que fizemos no passado e do que
queremos ser no futuro, é estima a si próprio, um estado interior de júbilo com
nosso retorno lento, porém gradativo, para uma identificação plena com o Pai.
SOCIALIZAÇÃO -
se o interesse pessoal é o grande adversário de nosso progresso, então a ação
em grupos de educação espiritual será excelente medicação contra o personalismo
e a vaidade. Destaquemos assim o valor das tarefas doutrinárias regadas de
afetividade e siso moral. São treinamentos na aquisição de novos impulsos.
CARIDADE - se
socializar pode imprimir novos impulsos e reflexões no terreno da vida mental,
a caridade é o "dínamo de sentimentos nobres" que secundarão o
processo socializador, levando-o ao nível de abençoada escola do afeto e
revitalização dos ensinamentos espíritas. Conviveremos bem com os outros na
proporção em que estivermos convivendo bem conosco mesmo. A adoção de uma ética
de paz, no transcorrer da metamorfose de nós próprios, será medida salutar no
alcance das metas que almejamos, ao tempo em que constituirá garantia de
bem-estar e motivação para a continuidade do processo.
FONTE: Ermance Dufaux

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