O nascimento de um bebê
encerra uma etapa importante no processo de reencarnação. Durante meses,
inúmeras foram as preocupações e os questionamentos que envolveram a mente dos
pais, amigos e familiares. Apesar de os exames de ultrassonografia permitir a
visualização do feto ainda no ambiente intrauterino, todos esperam ansiosamente
por segurar a criança em seus braços.
Na grande maioria dos casos,
o trabalho de parto é um sinal de que o bebê está pronto para nascer. Mesmo com
todos os avanços na Medicina, o parto normal continua sendo o mais indicado,
tanto para a mãe, quanto para o bebê. Atualmente, o número de parto cesárea tem
crescido tanto, que o governo precisou tomar iniciativas que mantivessem sua
incidência dentro dos níveis aceitáveis para um procedimento cirúrgico.
A cesariana, como toda
cirurgia, possui riscos associados à anestesia, infecção e complicações intra e
pós-cirugicas. É um importante instrumento do arsenal obstétrico, quando o
parto normal será contraindicado ou implique em risco para a vida da mãe e/ou
do feto. Infelizmente, tem sido utilizada, indevidamente, para maior conforto
de muitos obstetras. Isso porque, todos sabem que não há horário comercial
quando o assunto é o nascimento de um bebê. Realizando a cesariana, evitam
surpresas indesejáveis durante uma festa ou na madrugada.
Outro fator que tem
colaborado para o seu aumento é o medo que as gestantes têm de sentirem as
dores do parto. Um grande defeito que possuímos é o de enfatizar sempre os
nossos sofrimentos. Não são poucas as mulheres que buscam valorizar a dor que
sentiram nesse momento, e algumas chegam ao cúmulo de utilizar isso como forma
de chantagem com seus cônjuges e filhos. E como sabemos, notícia ruim se
espalha rápido.
Sobre esse assunto, algumas
questões sempre me intrigaram: Por que na sala de Pré-Parto, todas as
parturientes passam pelo mesmo processo e reagem de maneiras tão diversas? Se a
dor é tão insuportável, por que não são raros os casos de pacientes que tiveram
mais de um filho?
Bem, sabemos que a forma
como respondemos a um mesmo estímulo doloroso é subjetiva, porém trabalhos
científicos têm nos brindado com informações muito importantes. Hoje, está
claro que a ansiedade e o estresse maternos aumentam o número de receptores
para os hormônios relacionados à dor. Assim, quanto mais tranquila a paciente,
menor será o seu sofrimento. É nesse ponto que gostaria de destacar a
importância do apoio, não só por parte do parceiro e da família, mas também do
obstetra. Deles virão a segurança e a confiança de que a parturiente tanto
precisa.
Portanto, para que o parto
transcorra bem, é importante a participação de cada um dos seguintes
envolvidos:
- Obstetra: a palavra
obstare, utilizada para designar essa especialidade médica, significa estar ao
lado. Esse deve ser o verdadeiro compromisso assumido por aquele que se
disponha a acompanhar uma mulher durante a gestação e o parto. Sua atuação não
pode se restringir ao controle das funções vitais e exames laboratoriais da mãe
e do feto. É essencial que acolha e oriente, para que as histórias de vizinhas
e conhecidas não se sobreponham ao que fala. E para as futuras mamães, que
desejem o parto normal, é importante que procurem saber se o seu médico
compartilha da mesma vontade.
- Mãe: após meses de
alterações em seu corpo, quando chega o momento do parto, é fundamental que a
gestante participe ativamente de todo o processo. Ela não pode achar que
sozinho o médico poderá fazer tudo. Presenciei muitos casos onde, apesar de
excelentes condições físicas para o parto normal, por não haver colaboração
materna, precisamos optar pelo parto cesárea. O trabalho de parto pode não ser
algo indolor, mas a mãe deve manter em mente o foco de que, no final, terá em
seus braços seu querido filho. Atualmente, existem medicamentos capazes de
aliviar bastante a dor. Também é importante que saiba que após a saída do bebê,
as dores diminuem significativamente.
- Bebê: como sabemos, ele possui
um espírito que orientou a formação do seu corpo desde o encontro dos gametas
de seus pais e está sujeito às influências mentais de sua mãe. Assim, se ela
não estiver tranquila durante o trabalho de parto, dificilmente ele estará.
Mesmo desprovido da consciência do que está ocorrendo, seu subconsciente já
constata e registra o que acontece ao seu redor. Caberá a sua mãe tranquiliza-lo
durante esse momento tão importante, inclusive explicando-lhe o que está
acontecendo.
Todos os envolvidos não
estão desamparados na hora do parto. Relatos psicográficos nos contam que
existem equipes no plano espiritual especializadas no auxílio ao nascimento. Tranquilidade
e harmonia são ferramentas essenciais para que possamos facilitar
o seu trabalho. Com isso, os benefícios serão inúmeros e o espírito reencarnante
se sentirá ainda mais confiante para iniciar uma nova etapa na sua jornada
evolutiva.
FONTE: MATÉRIA PUBLICADA NA FOLHA ESPÍRITA EM SETEMBRO DE 2006.
DRA. CRISTIANE RIBEIRO ASSIS
(AME-SP) É GINECOLOGISTA E OBSTETRA, COM ESPECIALIZAÇÃO EM MEDICINA FETAL.

Nenhum comentário:
Postar um comentário