Na floresta mental em que vivemos,
frequentemente nos defrontamos com vibrações subalternas que nos
golpeiam, compelindo-nos ao cansaço e
à irritação, provenientes de ondas
enfermiças de seres encarnados ou desencarnados desequilibrados, com os quais
partilhamos o clima psíquico. Estamos mentalmente expostos a todo tipo de
influência psíquica, seja no meio social, profissional, familiar, sobretudo aos
meios de comunicação em massa, que constituem poderosos agentes de indução.
Segundo Aristóteles, "pensar é uma
ação divina. Pensar é criar condições atrativas de pensamentos idênticos. O que
se faz mister é saber pensar, dominar o pensamento, amoldá-lo à vontade,
sujeitando todos os elementos somáticos do organismo ao domínio superior do
Eu,"- Efetivamente, importa antes o
domínio de nossos pensamentos sobre nós mesmos, e não pensar sob influência do
meio.
POR QUE SUPERAR ?
Segundo André Luiz, em Mecanismos da
Mediunidade, Cap. XV, cargas imensas de elétrons perturbam o campo terrestre,
responsabilizando-se pelas tempestades magnéticas que afetam todos os processos
vitais do Globo - prejudicando inclusive
as transmissões de aparelhos radiofônicos.
Da mesma forma existem as correntes de
elétrons mentais que, por sua vez, formam cargas que aderem-se ao campo
magnético dos indivíduos. Por outro lado, toda compressão de agentes mentais
gera em nossa alma estados indutivos, pelos quais atraímos cargas de
pensamentos em sintonia com os nossos. Estamos, efetivamente, sempre em correlação
espontânea com as Inteligências, encarnadas ou desencarnadas, por intermédio
das cargas mentais que acumulamos ou emitimos.
(op. cit, p. 112) É assim que, cada um possui no próprio pensamento a
fonte inestancável das próprias energias. Construímos a nossa fotosfera
psíquica à base de cargas magnéticas constantes. Conforme a natureza de nosso
pensamento, emitimos correntes mentais destrutivas ou construtivas:
CORRENTES MENTAIS DESTRUTIVAS CONDUZEM
A:
a) Processos obsessivos
Acumulando em si mesma as forças
autogeradas em processo de profundo desequilíbrio, a alma exterioriza forças
mentais desajustadas e destrutivas, pelas quais atrai as forças do mesmo teor,
caindo frequentemente em cegueira obsessiva (. .. ) As mentes desvairadas ou
caídas em monoideísmo vicioso se refletem mutuamente.
(Op. cit., p. 114)
b) Degeneração de energias
Considerando-se que o processo de
"acumulação desordenada das nuvens de tensão no campo da aura" se
caracteriza por imensa gradação, se as criaturas conscientes não se dispõem a
distribuição natural das próprias cargas magnéticas, em trabalho digno,
estabelecem para si a degenerescência das energias. (Idem, p. 114)
c) Vícios e enfermidades
(...) Seja no arrastamento da paixão ou
na sombra do vício, sofrem a aproximação de correntes mentais arrasadoras (...)
que lhes impõem disfunções e enfermidades de variados, matizes, segundo os
pontos vulneráveis que apresentem (…) (Idem, ibidem)
COMO SUPERAR ?
É pela projeção de nossas idéias que
nos vinculamos aos planos mais nobres e elevados. É assim que, educando nossos
pensamentos criamos CORRENTES MENTAIS CONSTRUTIVAS, sustentadas por:
a) TRABALHO E DOAÇÃO
Assim como a Natureza encontra, na
distribuição harmoniosa das próprias energias, o caminho justo para o próprio
equilíbrio, sustentando-se em movimento contínuo, o Espírito identifica, no
trabalho ordenado com segurança, a trilha indispensável para o seu clima ideal
de euforia. (Op. cit., p.113)
Espírito é chamado a servir no sentido
de dinamizar a circulação das próprias energias mentais. Doar é ajustar a onda
mental no sentido de gerar, revigorar, harmonizar todo o ser com os mananciais
inexauríveis do amor. A cada momento, o
Criador concede a todas as criaturas a bênção do trabalho, como serviço
edificante, para que aprendam a criar o bem que lhes cria luminoso caminho para
a glória na Criação. (Emmanuel)
Portanto, quanto mais enobrecida a
consciência, maior o seu poder sobre si, maior seu poder mental, mais benéficas
suas correntes mentais a vibrarem ao redor de si mesmo, e de outrem.
b) A PRECE
A prece é o mais elevado meio de
indução e comunhão com as forças vivificantes da criação. Criar é dinamizar os
anseios sublimes que estão latentes na intimidade do Espírito. A oração
consiste em uma emissão de força, que caracteriza-se por determinado
potencial de frequência a gerar e
assimilar ao mesmo tempo as fontes geradoras de vida. É assim que a oração
permite:
1. COMUNHÃO COM ESFERAS SUPERIORES :
A PRECE TORNA O HOMEM MELHOR?
- Sim, porque aquele que faz preces com
fervor e confiança se torna mais forte contra as tentações do mal e Deus lhe
envia bons Espirítos para o assistir. É um socorro jamais recusado, quando o
pedimos com sinceridade. (LE, 660)
2. EQUILÍBRIO DO CORPO E DO ESPÍRITO
Na oração não suprime, de imediato, os
quadros de provação, mas renova-nos o espírito, a fim de que venhamos a
sublimá-los ou removê-los." (Emmanuel)
Exteriorizando a essência divina, a
consciência elevada impregna todo o seu ser pela qualidade do pensamento
emitido, corrigindo o magnetismo torturado da criatura, recompondo lhe as faculdades profundas.
3. EFICÁCIA DA PRECE
A energia da corrente está na razão
direta da energia do pensamento e da vontade. (E.S.E., Cap. XXVII, idem 10) A
prece só tem valor quando a ação magnética é gerada pelo próprio pensamento.
Por isso que preces místicas ou decoradas não surtem efeito. É necessário que
cada palavra, cada frase, construa uma corrente mental dinamizada pelo amor,
caso contrário serão meras palavras. Por isso, nada adianta pedir, se não
estivermos motivados pelo amor nesse momento.
Semelhante atitude da alma, porém, não deve em tempo
algum, resumir-se a simplesmente pedir algo ao Suprimento Divino, mas pedir,
acima de tudo, a compreensão quanto ao plano da Sabedoria Infinita (…)
(Mecanismos da Mediunidade p. 179) A prece é o solilóquio de uma alma
exultante. A lamentação, o descontentamento impedem uma ligação efetiva com
Deus. Importa, pois, saber ajudar-se a si próprio, liberar a essência amorosa
que nos caracteriza, só então a prece será efetiva, pois partirá do interior
para o objetivo a ser alcançado, e não pedidos dispersivos de fora para dentro.
Orar é entrar em comunicação com o oceano interior, e não pronunciar algo
exterior a si.
4. TRANSCENDÊNCIA
Orar é despertar correntes mentais que
vivificam, é despertar as potências divinas. Orar é identificar-se com a fonte
inexaurível do amor e do poder; inserindo-se nas leis de renovação que governam
os fundamentos da vida. Orar é erguer-se pela força viva do pensamento, é
recriar-se pela assimilação do fluxo divino. Orar é arquitetar o interior pelas
mais sublimes criações mentais. Orar é transcender, é superar-se cada vez mais
em inusitada alegria interior, em um impulso que nos compele à religiosidade, a
um sentido moral de força interior. Busquemos, pois, a paz, pela fidelidade a
nós mesmos.
FONTE: Federação Espírita do Estado de
São Paulo, REFORMA INTIMA, Curso básico de espiritismo, São Paulo. 2 ed., 2014.

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