COMO É CONSIDERADA A QUESTÃO DO SEXO EM NOSSOS DIAS? COMO OS
JOVENS ENCARAM HOJE A UNIÃO SEXUAL? HOUVE MUDANÇAS COM RELAÇÃO AO PASSADO?
QUAIS OS VALORES INCULCADOS PELOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO EM
MASSA?
Existe uma corrente tendenciosa em nossos dias de dar livre
expansão aos impulsos sexuais. No entanto, a maioria dos jovens acaba por
descer aos labirintos da insensatez, da intemperança, acumulando
responsabilidades de toda natureza. Esta tendência incorre numa completa
distorção de sentimentos e de respeito. Sexo exige antes de tudo
responsabilidade, coisa que muitos poucos assumem em nome do chamado "amor
livre".
CONSEQUÊNCIAS DO ABUSO DO SEXO
Em sua imensa maioria, como já dissemos, os homens não sabem
distinguir o uso do abuso. Exageram suas necessidades, acabam por cometer
abusos, que por sua vez levam às seguintes consequências:
1. Comprometimento do corpo físico - da dispersão das
energias vitais e procriadoras, as consequências para o nosso corpo físico
podem ser muito desastrosas, como é o caso de doenças por vezes
irrecuperáveis.
2, Também pelo abuso sexual comprometemos o equilíbrio
emocional, enfraquecendo nossa mente com o viciamento de nossa imaginação, e
embotamos, assim, nossos sublimes valores criadores. Assim como o uso
respeitável dos patrimônios da vida engrandece o homem perante Deus e a própria
consciência, o abuso, no entanto, pode conduzi-lo aos abismos da
delinquência.
CAUSA: O ABUSO
O PRINCÍPIO DAS PAIXÕES SENDO NATURAL, É MAU EM SI
MESMO?
- Não, a paixão está no excesso provocado pela vontade, pois
o princípio foi dado ao homem para o bem e as paixões podem conduzi-lo a
grandes coisas. O abuso a que ele se entrega é que causa o mal. (LE 907)
Segundo O Livro dos Espíritos, todas as paixões têm como
princípio originário uma necessidade ou sentimento natural. Deus é amor e, ao
criar-nos, fez-nos participantes de sua natureza, isto é, dotados dessa virtude
por excelência, carecendo apenas que a
desenvolvamos que a depuremos,
que superemos a vida instintiva em função do amor sublimado, que superemos
pelas várias instâncias da natureza o amor sensível em função do amor
espiritual.
A palavra "paixão" é quase exclusivamente usada em
sentido negativo; logo é "má paixão". Ora, se todas as paixões fossem
más seria preciso dar-lhes combate até arrancá-las. Não se trata de ir contra a
natureza que é divina, mas antes de modificar o valor moral das ações humanas,
na medida em que estas devem ser assumidas e controladas pelo Espírito.
COMO DEFINIR O LIMITE EM QUE AS PAIXÕES DEIXAM DE SER BOAS
OU MÁS?
- As paixões são como um cavalo que é útil quando governado
e perigoso quando governa. (LE 908)
Ora, faz parte da natureza humana a existência das paixões,
mas também faz parte da perfeição e da natureza espiritual que as paixões sejam
assumidas e controladas pela razão. Controladas não no sentido de constrangidas
e debeladas, mas assumidas e usadas positivamente. Não proibição, mas educação. Não abstinência
imposta, mas emprego digno, com o devido respeito aos outros e
a si mesmo. Não indisciplina, mas controle. Não impulso
livre, mas responsabilidade. (Emmanuel, in Vida e Sexo.) Desta atividade
reguladora do Espírito depende em grande parte a perfeição do homem, a
elaboração espiritual de sua vida, a realização de si mesmo.
COMO SUPERAR O ABUSO ?
"Ouvistes que foi dito aos antigos: Não adulterarás.
Eu, porém, vos digo que todo o que olhar para uma mulher, cobiçando-a, já no
seu coração adulterou com ela." (Mateus, 5:27-28) Todo o Evangelho de
Jesus consiste em uma exaltação à vida interior, como sendo a única permanente,
e portanto real. Em assim sendo, mais do que a ação empírica importa a disposição
de nossa alma diante de determinada situação. É assim que a palavra adultério
aqui não deve ser entendida no seu sentido restrito, mas como toda atitude
interior que revela uma imperfeição da alma. É assim que, segundo o Evangelho,
a verdadeira pureza não está apenas nos atos, mas também no pensamento, pois
aquele que tem o coração puro nem sequer pensa no mal. É
assim que importa uma educação do Espírito, e não a
erradicação do mal. E quando falamos em educação do Espírito, trata-se de
modificar nossa maneira de pensar e de sentir. Importa pois, no caso, prestar
atenção em nossa atividade imaginativa e afetiva. Se porventura vamos além da
necessidade natural, há o abuso, que nada mais é que uma necessidade
desregrada, construída pela nossa própria mente, pela nossa fantasia. O
"pecado" por pensamento inicia quando a fantasia começa a
enternecer-se diante de alguma situação ou pessoa. E quando essas projeções do
Espírito passam a ser frequentes, a paixão torna-se um vício.
Em vez de disciplinar o corpo, importa disciplinar a
fantasia. Nisso consiste o sentido da expressão de Jesus: Orai e Vigiai. (Mc.,
13: 33), A fantasia - ou imaginação
- deve ser valorosa aliada a oferecer
inspirações animadoras do Espírito. Nisto consiste a sublimação do amor
sensível em função do amor espiritual. Quantas leituras, filmes, propagandas,
conversas, penetram sorrateiramente nosso psiquismo, desviando preciosas e
prementes necessidades do Espírito.
CONCLUSÃO
É assim que todos os seres, todas as criaturas do universo
tendem à perfectibilidade, e nesse itinerário o amor, em sua primeira expressão
instintiva, tende a sublimar-se em amor espiritual, à medida que as exigências
da razão e da consciência moral manifestam-se. É assim, no dizer de Emmanuel,
que: "O instinto sexual, exprimindo
amor em expansão incessante, nasce nas profundezas da vida, orientando os
processos de evolução." (Vida e Sexo). Quanto mais evoluídos os seres,
mais sutis e sublimadas as manifestações do Amor. No amor sensível apenas
situam-se as paixões desvairadas. Já o amor espiritual, após estagiar nas
várias faixas da evolução, trata-se de uma comoção interior, manifestação
compulsiva de sublimadas esferas em forma de forças criadoras, não mais vitais
apenas, mas psíquicas e espirituais.
FONTE: Federação Espírita do Estado de São Paulo, REFORMA INTIMA, Curso básico de
espiritismo, São Paulo. 2 ed., 2014.

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