DE
QUE FORMA DEVEREMOS PROCEDER QUANDO A INTOLERÂNCIA SE SITUA EM NOSSO ÍNTIMO?
Em
meio à pressa e correria do dia-a-dia, como conquistarmos a paciência e a
tolerância? Temos compromissos com horários e múltiplos encargos a saldar,
providências a serem tomadas simultaneamente, compras a fazer, trânsito a
vencer, e o relógio sempre a nos atormentar. Tudo isso nos induz a um clima de
neurose e tensão. Sempre atrasados, vivemos qual autômatos, sem ponderar, sem
considerar os sentimentos ou mesmo as limitações daqueles com os quais
convivemos. O homem moderno caracteriza-se pela preocupação com as metas
empresariais e particulares a cumprir, com os objetivos lucrativos a serem
alcançados. Como sermos mansos e pacientes nessa turbulência? A irritação, o
desequilíbrio emocional nunca foram tão acentuados como nos dias atuais.
CAUSAS
Nas
manifestações em que expressamos a impaciência, a primeira providência é
indagar onde reside sua origem, que a gerou, e a partir de então ponderar sobre
a verdadeira importância daquilo que nos intranquiliza. Muito provavelmente
perceberemos desejos, ambições, que necessitam ser atenuados, para eliminarmos
a tensão nervosa tão frequente em nosso dia-a-dia. Geralmente somos impacientes
quando manifestamos inconformação conosco mesmos ou com alguma situação que não
podemos mudar, quando expressamos irritação por não alcançarmos determinado
objetivo, quando temos urgência com relação a valores imediatos. Somos ainda
intolerantes quando não perdoamos, quando exigimos que os outros - e todo o
mundo - sejam tal qual gostaríamos. A intolerância tem como causa a
austeridade, a severidade exagerada, a não-aceitação de infrações que alguém
possa cometer.
COMO
MANIFESTAM-SE A IMPACIÊNCIA ?
O
indivíduo impaciente geralmente é nervoso, precipitado e apressado. Não aceita
a si mesmo naquilo que não conseguiu realizar, e nem aceita os outros quando
não são qual gostaria que fossem. Não consegue manter-se calmo ou equilibrado
quando tem que aguardar. O indivíduo impaciente geralmente é ansioso, por
vivenciar sempre uma insistência intranquila dentro de si. Seu lema é
"apresse-se sempre".
COMO
MANIFESTAM-SE A INTOLERÂNCIA ?
Manifesta-se
geralmente no indivíduo intransigente. Não tolera faltas alheias e vive reclamando
obrigações dos outros.
Quando
em funções de mando é por demais severo, repreendendo severamente o subalterno.
É muito rígido em suas determinações, e apegado ao desejo de que as coisas, o
mundo, as pessoas fossem qual ele gostaria que fossem. O senso de análise e de
crítica neste tipo de pessoa é muito
forte. Sofre porque não perdoa as falhas humanas; falta-lhe a moderação nas
apreciações para com o próximo.
COMO
SUPERAR A INTOLERÂNCIA ?
O
verdadeiro caráter da caridade é a modéstia e a humildade, e consiste em não se
ver super ficialmente os defeitos alheios, mas em se procurar salientar o que
há de bom e virtuoso no próximo. (E.S.E, Cap. XVIII item 18) Precisamos romper
em nós as algemas do apego à imagem que idealizamos com relação ao mundo e às
pessoas. Não podemos pretender exigir de
outrem aquilo que ele não pode nos oferecer. Importa aceitar e respeitar as
criaturas mesmo dentro de suas limitações, mesmo quando corrompidas, criminosas
ou viciadas. O amor universal a que a verdadeira caridade nos convida, consiste
em vivenciar o amor em si mesmo, independente de preconceitos ou
discriminações. Tolerar não consiste,
porém, em desprezar o rigor e a disciplina, mas antes desvincular a exigência
de rigor do eu pessoal. Geralmente não toleramos nada que possa contrariar a
vontade do Eu. No entanto, ser tolerante consiste justamente em libertar-se das
amarras do querer pessoal, do querer para si, do satisfazer a si mesmo. Tolerar
é aceitar o outro como é, sem esperar ou exigir que seja como idealizamos.
Humildade e misericórdia andam juntos, e é esse conjunto que conduz à
tolerância.
COMO
SUPERAR A IMPACIÊNCIA ?
Sede
pacientes. A paciência é também caridade e deveis praticar a lei de caridade
ensinada pelo Cristo, enviado de Deus. (E.S.E., Cap. IX, item 7) A paciência
serena, tolerante, a aceitação tranquila, a vigilância ponderada são todas
reações que podem mudar essa atmosfera turbulenta que caracteriza nossos dias.
Cada um de nós poderá identificar, nos momentos diários as ocasiões em que
deverá aplicar a paciência e a mansuetude: Reagindo de todos os modos possíveis
às induções constantes de desentendimentos, discussões e irritações,
silenciando os impulsos de inconformação, de revide ou de defesas, que possam
nos levar ao desequilíbrio. Evitando no
trânsito ou nas ruas as reclamações de nossos direitos transgredidos pelos
outros. Uma atitude serena de renúncia desperta muito mais a quem não percebeu
a infração cometida. Quando em climas
tensos, no lar ou no trabalho, recorrendo à prece e à leitura tranquilizante,
no sentido de revigorar-se interiormente com energias renovadoras. Aceitando com amor aqueles colocados em
nossos caminhos como oportunidade de superação de nós mesmos ou de resgates do passado. Sejamos pacientes conosco mesmos, e esperemos
nosso amadurecimento interior para podermos colher os frutos na hora certa. De
nada adianta correr, importa chegar na hora certa. Na verdade, tolerar e ser
paciente não constituem as virtudes maiores, mas as menores. O ideal
atingiremos quando não tivermos o que tolerar, o que suportar, mas aceitar a
realidade sem apegos ou esforços. A tolerância é uma solução passageira,
provisória, até que os homens possam simplesmente compreender-se. Assim como a
simplicidade e o equilíbrio são as virtudes dos sábios, a tolerância e a
paciência são virtudes pequenas para aqueles que, como nós, ainda não são nem
uma coisa nem outra.
FONTE: Federação Espírita do Estado de São Paulo, REFORMA
INTIMA, Curso básico de espiritismo, São Paulo. 2 ed., 2014.

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