quarta-feira, 17 de junho de 2020

REFLEXO CONDICIONADO - ANO 02 - EDIÇÃO 14 - FEVEREIRO DE 2020



Se atentarmos para as nossas vivências do dia-a-dia, veremos que nossa vida constitui-se de uma contínua aquisição de hábitos, que acabam por condicionar-nos, moldando assim nossos pensamentos, nossas ações, nossa personalidade, determinando assim todo o nosso ser. No dia-a-dia infinitas sugestões do meio em que vivemos encorajam essa ou aquela ligação, esse ou aquele hábito. O discernimento deve ser assim, usado por nós à feição de leme, para que possamos orientar nosso ser, e não sermos dirigidos, condicionados pelo exterior.

POR QUE SUPERAR ?

Toda mente vibra de acordo com estímulos com os quais se identifica. Dessa forma geramos e exteriorizamos infinito potencial de forças eletromagnéticas que atuam sobre mentes que se identifiquem conosco, e nelas recolhemos ao mesmo tempo o que lhes é característico. Importa, pois, ter o discernimento necessário no sentido de descondicionar eventuais hábitos ou pensamentos, ligados, por vezes mesmo inconscientemente a sugestões nocivas, assim como criar hábitos salutares que levem a fortalecer nossa postura interior, elevando-a, sublimando-a.

EM QUE CONSISTE

A relação aos reflexos congênitos ou incondicionados, no caso do ser humano, temos por exemplo os reflexos alimentares, posturais, sexuais, detentores das vias nervosas próprias. São aqueles que permanecem em nosso perispírito no decorrer das experiências nas várias instâncias da natureza, Os reflexos condicionados ou adquiridos são aqueles que não surgem espontaneamente, mas sim conquistados pele psiquismo no curso da existência. Os reflexos adquiridos ou condicionados, que se utilizam da intervenção necessária do córtex cerebral, desenvolvem-se sobre os reflexos preexistentes, à maneira de construções emocionais, por vezes instáveis, e sobre os alicerces das vias nervosas, que pertencem aos seguros reflexos congênitos ou absolutos. (André Luiz, in Mecanismos da Mediunidade, p. 92)
É assim que os reflexos congênitos podem tornar-se condicionados, por mecanismos de associação. É assim, igualmente, que nossas paixões naturais, enquanto reflexos congênitos, podem tornar-se condicionamentos, gerando portanto os chamados vícios, a que já nos referimos no início deste trabalho. O que são os vícios senão nossos reflexos congênitos condicionados ao apego, gerados ou  associados a situações repetidas do passado? O que são nossas fixações mentais senão condicionamentos psíquico-emocionais? E a quantas situações não condicionamos nossa forma de ser no dia-a-dia? É ainda por falta de discernimento e senso crítico que vivenciamos por tanto tempo o mito, que nada mais é que autossugestão, um condicionamento de nosso interior ao exterior, quais talismãs, objetos sagrados, rituais, etc. É importante, portanto, atentarmos conscientemente, racionalmente, a que tipo de hábitos mentais ou condicionamentos estamos cedendo, a quais estímulos estamos aderindo, pois na verdade, todo condicionamento é gerado por agentes de indução: Uma conversação, essa ou aquela leitura, a contemplação de um quadro, a idéia voltada para certo assunto, um espetáculo artístico, uma visita efetuada ou recebida, um conselho ou uma opinião representam agentes de indução, que variam segundo a natureza que lhes é característica, com resultados tanto mais amplos quanto maior se nos faça a fixação mental ao redor deles. (André Luiz, in Op. cit., p. 94)

COMO SUPERAR ?

Diante disso tudo, fica evidente a necessidade de empregarmos o livre-arbítrio que caracteriza nossa natureza espiritual, não somente no sentido de sermos livres para escolher, mas para discernir entre o certo e o errado, de forma a libertar, engrandecer verdadeiramente o espírito. É importante, por outro lado, não somente descondicionar nosso psiquismo, superando maus hábitos, tendências e viciações, mas antes torná-lo incondicionado por uma vivência de ordem superior, ou seja, impregnar nosso ser com hábitos e comportamentos salutares, gerados por estímulos superiores quais, conversas elevadas, a reflexão e a leitura, bons pensamentos, a oração, trabalhos de doação contínua, etc.

a) CONVERSAÇÃO ELEVADA

"O que sai da boca procede do coração, e isso contamina o homem". (Mt, 15:18) É razoável não impedir o próximo de falar aquilo que lhe pareça conveniente, no entanto é importante reter apenas o que nos é útil e necessário. Em todos os momentos convivemos com pessoas, e todas elas são portadoras de mensagens pessoais. Se o mensageiro não traz solicitações ao bem, convém negar-lhe ouvidos. Por outro lado, sabemos que o verbo é criador, e a alegria ou a elevação semeada volta em ondas invisíveis a reconfortar a fronte que o emite. Há imponderáveis energias edificantes geradas pelos bons pensamentos que iluminam o ambiente. É imprescindível vigiar a conversa que entretemos, pois os elementos psíquicos que exteriorizamos permanecem em nós mesmos. A palavra sempre procede de nosso coração, de nossa condição espiritual e por isso contamina a nós mesmos.

b) REFLEXÃO E LEITURAS ELEVADAS

Quase sempre os pensamentos bailam, a imaginação voa, explorando as esferas de atração. O hábito da leitura edificante sempre é salutar ao espírito, como meio de sintonia. Com mentes nobres que levam a fortalecer, a engrandecer nosso interior e nosso senso moral. Além disso, a meditação, a reflexão, formam correntes ascensionais, que estabelecem a ligação com planos superiores, impregnando-nos com eflúvios divinos. Com o exercício, com o hábito, o ser interno vai pouco a pouco iluminando-se e descobrindo sentimentos e forças inusitadas.

c) TRABALHO E DOAÇÃO CONTÍNUA

Através do trabalho somos induzidos, pelo próprio exercício do amor, à automatização do bem proceder. Do mesmo modo como os hábitos nocivos nos induzem a reflexos condicionados, o contínuo modelar de nossas atitudes no bem gera, com o tempo, comportamentos elevados de forma natural e espontânea, sem maiores esforços.  A caridade é a maior forma de educar nosso íntimo,  livrando-o das amarras forjadas pelo nosso próprio psiquismo. 

FONTE: Federação Espírita do Estado de São Paulo, REFORMA INTIMA, Curso básico de espiritismo, São Paulo. 2 ed., 2014.

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