Se
atentarmos para as nossas vivências do dia-a-dia, veremos que nossa vida
constitui-se de uma contínua aquisição de hábitos, que acabam por
condicionar-nos, moldando assim nossos pensamentos, nossas ações, nossa
personalidade, determinando assim todo o nosso ser. No dia-a-dia infinitas
sugestões do meio em que vivemos encorajam essa ou aquela ligação, esse ou
aquele hábito. O discernimento deve ser assim, usado por nós à feição de leme,
para que possamos orientar nosso ser, e não sermos dirigidos, condicionados
pelo exterior.
POR
QUE SUPERAR ?
Toda
mente vibra de acordo com estímulos com os quais se identifica. Dessa forma
geramos e exteriorizamos infinito potencial de forças eletromagnéticas que
atuam sobre mentes que se identifiquem conosco, e nelas recolhemos ao mesmo
tempo o que lhes é característico. Importa, pois, ter o discernimento
necessário no sentido de descondicionar eventuais hábitos ou pensamentos,
ligados, por vezes mesmo inconscientemente a sugestões nocivas, assim como
criar hábitos salutares que levem a fortalecer nossa postura interior,
elevando-a, sublimando-a.
EM
QUE CONSISTE
A
relação aos reflexos congênitos ou incondicionados, no caso do ser humano,
temos por exemplo os reflexos alimentares, posturais, sexuais, detentores das
vias nervosas próprias. São aqueles que permanecem em nosso perispírito no
decorrer das experiências nas várias instâncias da natureza, Os reflexos
condicionados ou adquiridos são aqueles que não surgem espontaneamente, mas sim
conquistados pele psiquismo no curso da existência. Os reflexos adquiridos ou
condicionados, que se utilizam da intervenção necessária do córtex cerebral,
desenvolvem-se sobre os reflexos preexistentes, à maneira de construções
emocionais, por vezes instáveis, e sobre os alicerces das vias nervosas, que
pertencem aos seguros reflexos congênitos ou absolutos. (André Luiz, in
Mecanismos da Mediunidade, p. 92)
É
assim que os reflexos congênitos podem tornar-se condicionados, por mecanismos
de associação. É assim, igualmente, que nossas paixões naturais, enquanto
reflexos congênitos, podem tornar-se condicionamentos, gerando portanto os
chamados vícios, a que já nos referimos no início deste trabalho. O que são os
vícios senão nossos reflexos congênitos condicionados ao apego, gerados ou associados a situações repetidas do passado?
O que são nossas fixações mentais senão condicionamentos psíquico-emocionais? E
a quantas situações não condicionamos nossa forma de ser no dia-a-dia? É ainda
por falta de discernimento e senso crítico que vivenciamos por tanto tempo o
mito, que nada mais é que autossugestão, um condicionamento de nosso interior
ao exterior, quais talismãs, objetos sagrados, rituais, etc. É importante,
portanto, atentarmos conscientemente, racionalmente, a que tipo de hábitos
mentais ou condicionamentos estamos cedendo, a quais estímulos estamos
aderindo, pois na verdade, todo condicionamento é gerado por agentes de
indução: Uma conversação, essa ou aquela leitura, a contemplação de um quadro,
a idéia voltada para certo assunto, um espetáculo artístico, uma visita
efetuada ou recebida, um conselho ou uma opinião representam agentes de
indução, que variam segundo a natureza que lhes é característica, com
resultados tanto mais amplos quanto maior se nos faça a fixação mental ao redor
deles. (André Luiz, in Op. cit., p. 94)
COMO
SUPERAR ?
Diante
disso tudo, fica evidente a necessidade de empregarmos o livre-arbítrio que
caracteriza nossa natureza espiritual, não somente no sentido de sermos livres
para escolher, mas para discernir entre o certo e o errado, de forma a
libertar, engrandecer verdadeiramente o espírito. É importante, por outro lado,
não somente descondicionar nosso psiquismo, superando maus hábitos, tendências
e viciações, mas antes torná-lo incondicionado por uma vivência de ordem
superior, ou seja, impregnar nosso ser com hábitos e comportamentos salutares,
gerados por estímulos superiores quais, conversas elevadas, a reflexão e a
leitura, bons pensamentos, a oração, trabalhos de doação contínua, etc.
a)
CONVERSAÇÃO ELEVADA
"O
que sai da boca procede do coração, e isso contamina o homem". (Mt, 15:18)
É razoável não impedir o próximo de falar aquilo que lhe pareça conveniente, no
entanto é importante reter apenas o que nos é útil e necessário. Em todos os
momentos convivemos com pessoas, e todas elas são portadoras de mensagens
pessoais. Se o mensageiro não traz solicitações ao bem, convém negar-lhe
ouvidos. Por outro lado, sabemos que o verbo é criador, e a alegria ou a
elevação semeada volta em ondas invisíveis a reconfortar a fronte que o emite.
Há imponderáveis energias edificantes geradas pelos bons pensamentos que
iluminam o ambiente. É imprescindível vigiar a conversa que entretemos, pois os
elementos psíquicos que exteriorizamos permanecem em nós mesmos. A palavra
sempre procede de nosso coração, de nossa condição espiritual e por isso
contamina a nós mesmos.
b)
REFLEXÃO E LEITURAS ELEVADAS
Quase
sempre os pensamentos bailam, a imaginação voa, explorando as esferas de
atração. O hábito da leitura edificante sempre é salutar ao espírito, como meio
de sintonia. Com mentes nobres que levam a fortalecer, a engrandecer nosso
interior e nosso senso moral. Além disso, a meditação, a reflexão, formam
correntes ascensionais, que estabelecem a ligação com planos superiores,
impregnando-nos com eflúvios divinos. Com o exercício, com o hábito, o ser
interno vai pouco a pouco iluminando-se e descobrindo sentimentos e forças
inusitadas.
c)
TRABALHO E DOAÇÃO CONTÍNUA
Através
do trabalho somos induzidos, pelo próprio exercício do amor, à automatização do
bem proceder. Do mesmo modo como os hábitos nocivos nos induzem a reflexos
condicionados, o contínuo modelar de nossas atitudes no bem gera, com o tempo,
comportamentos elevados de forma natural e espontânea, sem maiores
esforços. A caridade é a maior forma de
educar nosso íntimo, livrando-o das
amarras forjadas pelo nosso próprio psiquismo.
FONTE: Federação Espírita do Estado de São Paulo, REFORMA
INTIMA, Curso básico de espiritismo, São Paulo. 2 ed., 2014.

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