"Em verdade em verdade vos digo, todo homem
que se entrega ao pecado é seu escravo. " (Jo., 8:34)
I - PEDAGOGIA "EM SITUAÇÃO"
- Como se posiciona hoje nossa sociedade perante
os vícios? Como tem sido a atuação dos meios de comunicação? Será que a
sociedade atual age de forma crítica no que diz respeito a todo tipo de abuso
relacionado ao fumo e álcool? O que pensam os jovens hoje com relação ao sexo e
às drogas? Os meios de comunicação estão
abertos, sem restrições à propaganda envolvente e maciça que induz a humanidade
ao fumo, ao álcool, ao jogo, à gula e ao sexo. Não existe a menor reação a tão
perniciosos incentivos. Ao contrário, tornaram-se meios de motivação a uma
sociedade meramente consumista, cujos produtos (filmes, bebidas, revistas,
cigarros, etc.) constituem verdadeiros agentes contaminadores do comportamento
moral do homem, induzindo-os ao viciamento de idéias pelo desejo de satisfações
ilusórias. Cabe-nos, efetivamente, trazer tais mensagens ao crivo da razão, e
assumir uma postura crítica diante desses grilhões psicológicos a que somos
induzidos.
II - OBJETIVOS
No estado natural, tendo menos necessidade, o
homem não sofre todas as tribulações que
cria para si mesmo num estado mais adiantado. Que pensar da opinião dos que
consideram esse estado como o da mais perfeita felicidade terrena? Que queres?
É a felicidade do bruto. Há pessoas que não compreendem outra. É ser feliz à
maneira dos animais. As crianças também são mais felizes que os adultos. (L.E.,
777)
Devemos compreender razoavelmente as
características, as causas e consequências do vício e buscar meios para
eliminá-los. Todos nós colhemos no sofrimento as consequências amargas dos
vícios, cedo ou tarde. Não precisamos chegar às últimas consequências do vício para
iniciar o trabalho de autolibertação, de autodescondicionamento. Comecemos por
questionar: será que queremos realmente nos libertar, ou nos comprazemos nos
vícios? Se queremos realmente nos libertar, quais as razões mais profundas que
nos levam a iniciar esse combate?
COMO INICIAR ESSE COMBATE?
Primeiramente, para superarmos os vícios mais
enraizados em nós, precisamos fortalecer a nossa vontade. Ninguém consegue
vencer uma batalha sem determinação, sem testemunho da vontade aplicada.
Logicamente os tratamentos espirituais ajudam, mas combater as causas é uma
conquista individual que deve ser cultivada paulatinamente.
III – CONTEÚDO
1. QUAIS AS CAUSAS DO VÍCIO? O QUE SÃO OS
VÍCIOS?
A Natureza não traçou o limite necessário em
nossa própria organização?
“Sim, mas o homem é insaciável. A Natureza
traçou o limite de suas necessidades na sua organização, mas os vícios
alteraram a sua constituição e criaram para ele necessidades artificiais."
(L.E., 716)
IMAGINAÇÃO
Pela imaginação penetramos os mais insondáveis
terrenos das idéias. No entanto, a imaginação tem sido mal conduzida pelos
homens, tanto de modo consciente quanto por desejos inconscientes, levando-os a
sofrimentos e outras consequências graves. Pela sua imaginação o homem cria
suas carências, envolve-se nos prazeres e absorve-se nas sensações. Cristalizam
se tais frutos da imaginação em hábitos repetitivos, que por sua vez tornam-se
condicionamentos, os quais passaram a
incorporar comodamente sem reação contrária. Os vícios são, portanto,
necessidades artificiais que nossa própria consciência criou às quais nos
apegamos.
DEPENDÊNCIA FÍSICA E PSÍQUICA
O organismo humano adapta-se a esses vícios e o
psiquismo fixa-se nas sensações. Na falta delas o próprio organismo passa a
exigir, em forma de dependências, as doses tóxicas ou as cargas emocionais a
que se habituara. A criatura não consegue mais libertar-se, contaminando o
corpo e a alma; torna-se, conforme as palavras de Jesus, escravo de si mesmo.
TENDÊNCIAS REENCARNATÓRIAS
O perispírito guarda certos reflexos ou
impregnações magnéticas pelas imantações recebidas do próprio corpo físico e do
campo mental. As tendências se
transportam e nessas oportunidades de libertação que nos são oferecidas,
sucumbimos aos mesmos VÍCIOS do passado. A Doutrina Espírita acrescenta,
portanto, um componente reencarnatório aos vícios, o que de certa forma
esclarece os casos crônicos e patológicos.
INFLUENCIAÇÃO DE MÁS COMPANHIAS
Por outro lado, raramente estamos sozinhos nos
vícios. Temos a companhia daqueles que se comprazem conosco dos mesmos males,
encarnados ou desencarnados, em maior ou menor identidade de sintonia. Por
vezes entidades espirituais agem hipnoticamente no campo da imaginação,
transmitindo as ondas envolventes das sensações e dos desejos que
alimentamos.
IV – CONCLUSÃO
Jesus veio para recompor a vida, para libertar
de todo tipo de mal, especialmente o tipo de mal que opera dentro de nós e nos
torna escravos de nossos próprios "pecados". Reforma íntima é
libertação. No Evangelho vemos Jesus libertando vários tipos de doentes, do
corpo e da alma. Os aflitos buscavam nele essa libertação: "Todos os que
padeciam de algum mal se arrojavam a ele
para o tocar". O mal que os aprisionava era vencido. Busquemos, pois
vivenciar Jesus em nosso íntimo, em nosso interior, para que tocados
pelo seu
amor possamos fortalecer nosso psiquismo e substituir toda
"escravidão" pela alegria interior da libertação.

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