terça-feira, 16 de junho de 2020

AS CONSEQUÊNCIAS DO ÁLCOOL - ANO 01 - EDIÇÃO 04 - OUTUBRO DE 2019



I - PEDAGOGIA SITUADA

1. Quais as mensagens sugeridas em meio à nossa sociedade em relação ao consumo do álcool?
2. A ingestão de álcool é valorizada ou desvalorizada em nosso meio?
3. Quais as ocasiões sociais em que nos são sugeridas bebidas alcoólicas?
As oportunidades sociais, as festas, as reuniões sociais nos predispõem à compartilha de um drinque. Os meios de comunicação estão sempre sugestionando o prazer da bebida vinculado ao bem-estar social (propagandas, filmes, novelas). Precisamos, porém, ter senso crítico, estar atentos para não cometer exageros e não resvalar por esse hábito social e terminar por se condicionar a ele.

II – CAUSAS

a) O meio em que se vive predispõe os indivíduos a despertar para os vícios:
O meio em que certos homens vivem não é para eles o motivo principal de muitos vícios e crimes? Sim, mas ainda nisso há uma prova escolhida pelo Espírito no estado de liberdade. (L.E., 644)
Por mais que sejamos sugestionados, toda e qualquer iniciativa parte do próprio Espírito. O Espírito é o único ser livre no universo, mas que, portanto, age com conhecimento de causa. A causa não é nunca algo exterior, mas está em nós mesmos. Se a causa está em nós, nada é mais reconfortante que saber que a libertação também
está em nós mesmos. Não são as circunstâncias que devem dominar nosso ser, mas nós é que devemos ter autodomínio perante as circunstâncias.
A doutrina espírita é evidentemente mais moral: ela admite para o homem o livre-arbítrio em toda sua plenitude, e ao lhe dizer que se pratica o mal, cede a uma sugestão má que lhe vem de fora, deixa-lhe toda responsabilidade, pois lhe reconhece o poder de resistir, coisa evidentemente mais fácil do que se tivesse de lutar contra sua própria natureza. (L E, 872)

b) Há indivíduos que além do prazer em si, buscam nas consequências da bebida um estado  de liberação de suas tensões, ou o esquecimento momentâneo de mágoas ou aflições. No entanto, tal estado de alegria ou excitação é sempre uma alteração efêmera de nosso estado de espírito, ao passo que uma alegria real, vivenciada à luz da interioridade de um Espírito que é dono de si mesmo, que encontrou em si mesmo a fonte inexaurível de alegrias, é permanente. Viver contrariando nossa existência por ilusões mundanas, prazeres passageiros e alienantes é desperdiçar a nós próprios.

III - POR QUE DEIXAR?

O princípio das paixões sendo natural, é mau em si mesmo?  (...) O abuso a que ele (o homem) se entrega é que causa o mal. (L. E, 907) Todos os vícios e paixões têm como princípio originário um sentimento natural, uma busca de prazer com o fim de estimular-nos à conquista da felicidade. No entanto, o mal não está em satisfazer por vezes nossa condição natural, mas no exagero, o que gera condicionamentos, os quais por sua vez provocam: a) perturbações enganosas do organismo; b) perturbações no psiquismo; c) problemas espirituais; d) afastamento da natureza espiritual.
1) Chegando o álcool ao seio da substância nervosa, excita-a e diminui sua energia e resistência, deprime os centros nervosos, fazendo surgir lesões graves (paralisias, problemas digestivos e circulatórios que alastram-se progressivamente, até atingir órgãos importantes). O álcool reduz a resistência física e por isso seu praticante pode ser considerado um suicida moral.
O homem que perece como vítima do abuso das paixões que, como o sabe, deve abreviar o seu fim, mas às quais não tem o poder de resistir (...) comete um suicídio?
- É um suicídio moral. (...) Há nele falta de coragem e bestialidade, e, além disso, o esquecimento de Deus. (LE, 952)
2) A alteração de estado psíquico, assim como das faculdades intelectuais causadas pela embriaguez, privam a criatura da razão, levando homens probos a cometer desatinos. A alteração das faculdades intelectuais pela embriaguez desculpa os atos repreensíveis? Não, pois o Ébrio voluntariamente se priva de razão para satisfazer paixões brutais: em lugar de uma falta, comete duas. (LE, 848)
3) No estado de embriaguez estamos geralmente influenciados por entidades inferiores que nos impedem viver uma situação espiritual plena. Nesses casos há o acompanhamento de entidades que se comprazem no vício, exercendo grande domínio sobre o indivíduo. No entanto, a causa, o apelo, partem sempre de nós, assim como a iniciativa, a cura dependem também de nós. Essa teoria da causa excitante de nossos atos ressalta evidentemente de todos os ensinamentos dados pelos Espíritos. E não somente É sublime da moralidade, mas acrescentaremos que eleva o homem aos seus próprios olhos, mostrando-o capaz de sacudir um jugo obsessor, como é capaz de fechar sua porta aos importunos, (L.E., 872)
4) Todo vício é um apego a algo exterior a si. Todo apego - É um suicídio moral. (...) Há nele falta de coragem e bestialidade, e além disso o esquecimento de Deus. (L.E. 952) ao exterior afasta, portanto, o homem de sua natureza interior e espiritual. A libertação do Espírito consiste em perceber sua verdadeira natureza. Libertar-se de grilhões é transcender sua condição meramente natural. Apegar-se é construir uma prisão da imagem de fraqueza. Daí a necessidade de reverter toda fraqueza como um meio para despertar as nossas potências até então desconhecidas. (...) Aquele que busca reprimi-las (as paixões) compreende sua natureza espiritual, vencê-las é para ele um triunfo sobre a matéria. (L E, 977)

IV - COMO DEIXAR?

Nesses momentos de fraqueza pela bebida, quando estamos imbuídos do desejo de libertação, o auxílio do Plano Espiritual vem a nosso favor, mas sempre se faz necessário o apoio de nossa própria vontade para surtirem os efeitos esperados. Há aqueles que dizem: "Eu quero", mas a vontade está somente em seus lábios. (L.E., 911). Muitos afirmam que sua vontade nada pode conter. Quando alguém assim afirma, demonstra que não tem nenhuma vontade de deixar o vício, nesse caso pouco se pode fazer. Quando se diz "não consigo" estamos revelando falta de confiança em nós mesmos. A falta de confiança em nós mesmos nos leva por vezes a esbanjar muitas vidas. O homem confiante em si magnetiza sua própria condição. A solução não consiste em uma tranquilidade aparentemente serena, mas na luta, na busca de um passo à frente no sentido da evolução. (O homem de bem) estuda suas próprias imperfeições e trabalha sem cessar em combatê-las. Todos seus esforços tendem a permitir-lhe dizer amanhã, que traz em si alguma coisa melhor do que na véspera. (E.S.E., cap. XVII, item 3) Portanto, ser "homem de bem" consiste em ter a coragem moral. Coragem moral é uma riqueza que revela-se no próprio exercício de superação. Enquanto colocarmos o poder fora de nós, havemos de continuar no estado de fraqueza. Nada pode limitar-nos senão nós mesmos. Nenhuma circunstância, nenhum meio social, pode levar-nos a realidades inferiores quando temos a vontade de elevar-nos.
"Maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo. "(I Jo 4:4) É assim que Jesus nos ensina mais uma vez, que um dos principais atributos de nossa essência divina, que está acima de nossa natureza mundana, consiste na autossuficiência. Façamos, pois, de nossas limitações e apegos mundanos motivos de desvelar essa coragem moral, essa riqueza interior, este "ser maior que está em nós".
Quanto mais ele (o Espírito) se depura, mais diminuem suas fraquezas e menos acessível se torna aos que o solicitam para o mal. Sua força moral cresce na razão de sua elevação (...). (L.E, 872) Revertamos, pois, o processo: quanto mais nos elevarmos, menos necessitaremos dos apegos mundanos.

FONTE: Federação Espírita do Estado de São Paulo, REFORMA INTIMA, Curso básico de espiritismo, São Paulo. 2 ed., 2014.

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