terça-feira, 16 de junho de 2020

OS MALEFÍCIOS DA GULA - ANO 01 - EDIÇÃO 05 - OUTUBRO DE 2019



I - A GULA

Como caracteriza-se a nossa cultura com relação a alimentação?
Quais e quantas são as propagandas que sugestionam à compra e ingestão de alimentos?
Será que nos preocupamos em ter uma alimentação saudável, escolhendo os alimentos adequados?
A nossa alimentação é excessiva ou moderada?

II – CONTEÚDO

A NATUREZA NÃO TRAÇOU O LIMITE NECESSÁRIO EM NOSSA PRÓPRIA ORGANIZAÇÃO?

Sim, mas o homem é insaciável. A natureza traçou o limite de suas necessidades na sua organização, mas os vícios alteraram a sua constituição e criaram para ele necessidades artificiais. (L.E., 716)
A Doutrina Espírita nos ensina que todas as paixões e vícios têm como princípio originário uma necessidade natural. Os prazeres que o físico proporciona são regulados por leis divinas, que lhes estabelecem limites em função das reais necessidades, e transpô-los ocasiona consequências tanto mais funestas quanto maiores os desmandos cometidos.

III – CONSEQUÊNCIAS

OS GOZOS TÊM LIMITES TRAÇADOS PELA NATUREZA?

Sim, para vos mostrar o termo do necessário; mas pelos vossos excessos chegais até o borrecimento e com isso punis a vós mesmos. (L.E., 713)
O excesso de alimentação é um vício nocivo:
- AO ORGANISMO;
- AO PSIQUISMO.

1) A sobrecarga de trabalho que os nossos órgãos são obrigados a desenvolver, sem necessidade, leva ao desgaste prematuro dos órgãos físicos. A quantidade necessária de proteínas, gorduras, sais minerais, etc., para manter o corpo físico, é mais ou menos a metade ou a terça parte daquilo que nós normalmente ingerimos. A maioria de nós ingere mais que o necessário. Grande quantidade de alimentos ingeridos não significa ter boa saúde. Mais do que a quantidade importa a qualidade dos alimentos que ingerimos.

A ABSTENÇÃO DE CERTOS ALIMENTOS, PRESCRITA ENTRE DIVERSOS POVOS, FUNDA-SE NA RAZÃO?

Tudo aquilo de que o homem se possa alimentar, sem prejuízo para a sua saúde é permitido (...). (L.E., 722)

 A ALIMENTAÇÃO ANIMAL, PARA O HOMEM, É CONTRÁRIA À LEI NATURAL?

Tudo aquilo de que o homem se possa alimentar, sem prejuízo para a sua saúde é permitido (...). (L.E., 722)  Na vossa constituição física, a carne nutre a carne, pois do contrário o homem perece (...). (L.E, 723) Com relação à ingestão de alimentos animais, não existe nenhuma postura radical por parte da Doutrina Espírita. Importa aí a questão das vibrações maléficas que a carne pode portar, e que podem, sem que percebamos, atuar sobre nós. A doutrina nada proíbe, ela conscientiza; cabe a cada um agir de acordo com seu foro íntimo. Embora as proteínas de origem animal sejam importantes à nossa subsistência, a preferência por produtos naturais (cereais, verduras, frutas, ovos, mel, leite e seus derivados) e, por princípio, mais condizentes com a natureza da criatura que busca ascender espiritualmente.

2) Por outro lado, todo e qualquer dano ao corpo físico traz consequências nocivas ao Espírito:
A lei de conservação impõe ao homem o dever de conservar as suas energias e a sua saúde, para poder cumprir a lei do trabalho. Ele deve alimentar-se, portanto, segundo o exige sua organização. (L.E. 723) A lei natural tem necessariamente como manifestação a conservação da matéria, a qual, por sua vez, é responsável pelo maior ou menor desempenho das faculdades do Espírito. O desrespeito à lei natural nos conduz a um desequilíbrio, portanto, orgânico e psíquico. Para que a alma possa conceber a liberdade, o corpo deve estar são e disposto.
"AMAI, POIS VOSSA ALMA, MAS CUIDAI TAMBÉM DO CORPO, INSTRUMENTO DA ALMA," desconhecer as necessidades que lhe são peculiares por força da própria natureza, é desconhecer a lei de Deus. Não o castigueis pelas faltas que o vosso livre-arbítrio o fez cometer. (...)” (ESE Cap. XVII, item 11)
É assim que, ao privar-se dos prazeres inúteis, o homem liberta-se da matéria e eleva sua alma. Há um preceito que ensina que "devemos terminar as refeições com fome". É assim que a razão deve constituir em um guia, cuja orientação permite a predominância da natureza espiritual sobre a natureza animal: Todo o sentimento que eleva o homem acima da natureza animal anuncia o predomínio do Espírito sobre a matéria e o aproxima da perfeição. (LE 908)

IV – CONCLUSÃO
Deus lhe deu o atrativo do prazer que o solicita à realização dos desígnios da Providência. Mas, por meio desse mesmo atrativo, Deus quis prová-lo também pela tentação que o arrasta ao abuso, do qual a sua razão deve livrá-lo. (LE, 712-a)
A apetência é uma necessidade natural, já o abuso é uma necessidade artificial, criada pela nossa própria mente. Portanto, o ponto de ataque não é o físico, mas a fantasia. O homem, em sua ignorância, não sabe distinguir o uso do abuso. Usar é tirar proveito, porém com moderação; abusar é ir além do estado natural, ou seja, desequilibrar-se. Daí a importância do uso ser moderado, o qual exprime alegria, pois do abuso geralmente nasce a dor. Eis porque progredir espiritualmente é usar bem os empréstimos de Deus. Progredir é superar todo e qualquer apego, para que o Espírito possa vivenciar a alegria de ser liberto. A realização plena de si mesmo, o homem não consegue enquanto não tiver domínio sobre si mesmo. Porém, a dissonância da natureza humana não é simples contingência natural, mero fenômeno biológico, mas antes produto de nossa mente. Daí a necessidade de recolher as projeções que criamos, para não sermos arrastados pelo nosso próprio psiquismo. Que possamos vivenciar o "Orai e Vigiai", segundo Jesus, por um controle de nossa imaginação, de nossos pensamentos, e não extirpar uma realidade biológica. Urge, portanto, que na procura do melhor aprendamos a respeitar as Leis da Vida para que possamos ser mais autênticos, mais nós mesmos, mais libertos.

FONTE: Federação Espírita do Estado de São Paulo, REFORMA INTIMA, Curso básico de espiritismo, São Paulo. 2 ed., 2014.

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