I - A GULA
Como caracteriza-se a nossa cultura com
relação a alimentação?
Quais e quantas são as propagandas que
sugestionam à compra e ingestão de alimentos?
Será que nos preocupamos em ter uma
alimentação saudável, escolhendo os alimentos adequados?
A nossa alimentação é excessiva ou
moderada?
II – CONTEÚDO
A NATUREZA NÃO TRAÇOU O LIMITE
NECESSÁRIO EM NOSSA PRÓPRIA ORGANIZAÇÃO?
Sim, mas o homem é insaciável. A
natureza traçou o limite de suas necessidades na sua organização, mas os vícios
alteraram a sua constituição e criaram para ele necessidades artificiais.
(L.E., 716)
A Doutrina Espírita nos ensina que todas
as paixões e vícios têm como princípio originário uma necessidade natural. Os
prazeres que o físico proporciona são regulados por leis divinas, que lhes
estabelecem limites em função das reais necessidades, e transpô-los ocasiona
consequências tanto mais funestas quanto maiores os desmandos cometidos.
III – CONSEQUÊNCIAS
OS GOZOS TÊM LIMITES TRAÇADOS PELA
NATUREZA?
Sim, para vos mostrar o termo do
necessário; mas pelos vossos excessos chegais até o borrecimento e com isso
punis a vós mesmos. (L.E., 713)
O excesso de alimentação é um vício
nocivo:
- AO ORGANISMO;
- AO PSIQUISMO.
1) A sobrecarga de trabalho que os
nossos órgãos são obrigados a desenvolver, sem necessidade, leva ao desgaste
prematuro dos órgãos físicos. A quantidade necessária de proteínas, gorduras,
sais minerais, etc., para manter o corpo físico, é mais ou menos a metade ou a
terça parte daquilo que nós normalmente ingerimos. A maioria de nós ingere mais
que o necessário. Grande quantidade de alimentos ingeridos não significa ter
boa saúde. Mais do que a quantidade importa a qualidade dos alimentos que
ingerimos.
A ABSTENÇÃO DE CERTOS ALIMENTOS,
PRESCRITA ENTRE DIVERSOS POVOS, FUNDA-SE NA RAZÃO?
Tudo aquilo de que o homem se possa
alimentar, sem prejuízo para a sua saúde é permitido (...). (L.E., 722)
A ALIMENTAÇÃO ANIMAL, PARA O HOMEM, É
CONTRÁRIA À LEI NATURAL?
Tudo aquilo de que o homem se possa
alimentar, sem prejuízo para a sua saúde é permitido (...). (L.E., 722) Na vossa constituição física, a carne nutre a
carne, pois do contrário o homem perece (...). (L.E, 723) Com relação à
ingestão de alimentos animais, não existe nenhuma postura radical por parte da
Doutrina Espírita. Importa aí a questão das vibrações maléficas que a carne
pode portar, e que podem, sem que percebamos, atuar sobre nós. A doutrina nada
proíbe, ela conscientiza; cabe a cada um agir de acordo com seu foro íntimo.
Embora as proteínas de origem animal sejam importantes à nossa subsistência, a
preferência por produtos naturais (cereais, verduras, frutas, ovos, mel, leite
e seus derivados) e, por princípio, mais condizentes com a natureza da criatura
que busca ascender espiritualmente.
2) Por outro lado, todo e qualquer dano
ao corpo físico traz consequências nocivas ao Espírito:
A lei de conservação impõe ao homem o
dever de conservar as suas energias e a sua saúde, para poder cumprir a lei do
trabalho. Ele deve alimentar-se, portanto, segundo o exige sua organização.
(L.E. 723) A lei natural tem necessariamente como manifestação a conservação da
matéria, a qual, por sua vez, é responsável pelo maior ou menor desempenho das
faculdades do Espírito. O desrespeito à lei natural nos conduz a um
desequilíbrio, portanto, orgânico e psíquico. Para que a alma possa conceber a
liberdade, o corpo deve estar são e disposto.
"AMAI, POIS VOSSA ALMA, MAS CUIDAI
TAMBÉM DO CORPO, INSTRUMENTO DA ALMA," desconhecer as necessidades que
lhe são peculiares por força da própria natureza, é desconhecer a lei de Deus.
Não o castigueis pelas faltas que o vosso livre-arbítrio o fez cometer. (...)”
(ESE Cap. XVII, item 11)
É assim que, ao privar-se dos prazeres
inúteis, o homem liberta-se da matéria e eleva sua alma. Há um preceito que
ensina que "devemos terminar as refeições com fome". É assim que a
razão deve constituir em um guia, cuja orientação permite a predominância da
natureza espiritual sobre a natureza animal: Todo o sentimento que eleva o
homem acima da natureza animal anuncia o predomínio do Espírito sobre a matéria
e o aproxima da perfeição. (LE 908)
IV – CONCLUSÃO
Deus lhe deu o atrativo do prazer que o
solicita à realização dos desígnios da Providência. Mas, por meio desse mesmo
atrativo, Deus quis prová-lo também pela tentação que o arrasta ao abuso, do
qual a sua razão deve livrá-lo. (LE, 712-a)
A apetência é uma necessidade natural,
já o abuso é uma necessidade artificial, criada pela nossa própria mente.
Portanto, o ponto de ataque não é o físico, mas a fantasia. O homem, em sua
ignorância, não sabe distinguir o uso do abuso. Usar é tirar proveito, porém
com moderação; abusar é ir além do estado natural, ou seja, desequilibrar-se.
Daí a importância do uso ser moderado, o qual exprime alegria, pois do abuso
geralmente nasce a dor. Eis porque progredir espiritualmente é usar bem os
empréstimos de Deus. Progredir é superar todo e qualquer apego, para que o
Espírito possa vivenciar a alegria de ser liberto. A
realização plena de si mesmo, o homem não consegue enquanto não tiver domínio
sobre si mesmo. Porém, a dissonância da natureza humana não é simples
contingência natural, mero fenômeno biológico, mas antes produto de nossa
mente. Daí a necessidade de recolher as projeções que criamos, para não sermos
arrastados pelo nosso próprio psiquismo. Que possamos vivenciar o "Orai e
Vigiai", segundo Jesus, por um controle de nossa imaginação, de nossos
pensamentos, e não extirpar uma realidade biológica. Urge, portanto, que na
procura do melhor aprendamos a respeitar as Leis da Vida para que possamos ser
mais autênticos, mais nós mesmos, mais libertos.
FONTE: Federação Espírita do Estado de São Paulo,
REFORMA INTIMA, Curso básico de espiritismo, São Paulo. 2 ed., 2014.

Nenhum comentário:
Postar um comentário