terça-feira, 16 de junho de 2020

DEFEITOS E VIRTUDES - ANO 01 - EDIÇÃO 06 - NOVEMBRO DE 2019




DEFEITOS E VIRTUDES

- Como é considerada a palavra virtude em nossos dias?Até parece que esse termo nem mais existe. Pouco se comenta de um modo geral sobre a virtude dos homens, no passado tão valorizada.
- Quem atualmente valoriza as qualidades virtuosas e as procura cultivar? Bem poucos, podemos dizer; em escolas de formação religiosa busca-se ainda inculcar nos alunos os valores espirituais, nas famílias tradicionais existe ainda a preocupação com bons princípios e hábitos, retidão de caráter, o que parece incompatível com os padrões sociais e os valores mundanos que caracterizam nossos tempos. A preocupação com a ética, então, ficou para último plano, haja vista a falta de moralidade que caracteriza nossa sociedade atual.

OS DEFEITOS

1. O QUE SÃO? QUAIS SÃO?

Por defeitos entende-se, não somente os vícios, conforme já vimos, mas, sobretudo nossas imperfeições do ponto de vista moral, entre as quais podemos citar: o egoísmo, o orgulho, a inveja, o ódio, a vingança, a maledicência, a impaciência e a intolerância, às quais nos referiremos em sequência mais adiante.

2. POR QUE SUPERAR?

Porque constituem impedimentos ao progresso moral, impedimentos a uma consciência livre, na medida em que se permanece preso, escravo das próprias más tendências. A causa de nossa infelicidade, portanto, não são os outros, mas reside dentro de nós mesmos.

3. COMO SUPERAR?

a) É condição de uma batalha conhecer o melhor possível nossos inimigos e suas tendências para não sucumbirmos ao seu ataque. Do mesmo modo, do ponto de vista moral, cabe-nos conhecer os inimigos que na verdade habitam dentro de nós. b) Necessitamos ainda daquela ferramenta importante: a vontade. Todo homem pode ser bom e feliz; basta que o queira com energia e constância. c) A vivência do amor é muito mais forte que o ódio. Quanto mais amamos, mais nos engrandecemos e gradativamente nossos defeitos acabam por dissipar-se. Cada alma é um gerador de amor, de força, cujo domínio sobre si aumenta à medida que se eleva.

AS VIRTUDES

1 - O QUE SÃO? QUAIS SÃO?

Etimologicamente, o termo virtude vem do latim virtus, que significa força. Em seu sentido original significava "coragem", "força" do guerreiro. Mais genericamente passou a significar poder ou aptidão de se fazer algo. No sentido moderno e corrente significa capacidade ou potência própria do homem, de natureza moral, disposição a prática do bem. A virtude, no seu grau mais elevado, abrange o conjunto de qualidades essenciais que constituem o homem de bem. (E.S.E., Cap. XVII, item 8) Influenciada pelo momento histórico em que surgiu, a Doutrina Espírita fundamenta-se em uma ética iluminista,
para a qual o conceito de virtude consiste em:
a) intenção de fazer o bem
b) desinteresse pessoal
c) capacidade ou potência moral

A) INTENÇÃO DE FAZER O BEM

- Já vos respondi ao dizer que Deus julgaria a intenção, e que o fato em si teria pouca importância para Ele. (L.E., 672)
- Deus é justo e julga mais a intenção do que o fato. (L.E.,747)
É assim que para a ética espírita, a virtude não consiste apenas nas boas obras, mas na intenção, ou seja, não somente no que o homem faz, mas no que ele "quer"  fazer efetivamente. Não é, pois, pelo conteúdo que uma ação é considerada virtuosa, mas antes pela vontade, pela disposição de alma do indivíduo. O que não é feito por afeição não produz nem bem nem mal na natureza da criatura.

B) DESINTERESSE PESSOAL

Qual a mais meritória de todas as virtudes?
- Todas têm o seu mérito, porque todas são indícios de progresso no caminho do bem. Há virtude sempre que há resistência voluntária ao arrastamento das tendências, mas a sublimidade da virtude consiste no sacrifício do interesse pessoal para o bem do próximo, sem segunda intenção. A mais meritória é aquela que se baseia na caridade mais desinteressada. (L.E,893)
1) Imperativo Hipotético: Consiste em se obedecer a um mandamento ou imperativo;
2) Imperativo Categórico: consiste em se respeitar uma obrigação moral pela alegria de fazê-lo, ou seja, o bem pelo bem, o amor pelo alegria de vivenciar o amor, a virtude pela virtude.
- É necessário fazer o bem por caridade, ou seja, com desinteresse. (L.E., 897)
- Mas aquele que faz o bem sem segunda intenção, pelo prazer único de ser agradável a Deus e ao seu próximo sofredor, já se encontra num grau de adiantamento que lhe permitirá chegar mais rapidamente à felicidade do que o seu irmão que, mais positivo, faz o bem por cálculo e não por ardor natural do coração. (L.E., 897-a)

C) CAPACIDADE OU POTÊNCIA - DE NATUREZA MORAL

"Sede perfeitos, como vosso Pai celestial é perfeito." (Mt., 5:48)
"Não está escrito na vossa lei: Eu disse: Sois deuses?" (jo., 10:34)
"O reino dos céus está dentro de vós."
Todo o segredo da perfeição, da felicidade, está na conscientização progressiva das potências divinas que nos habitam. Cada um de nós é uma partícula do Absoluto, cabe-nos portanto a manifestação cada vez mais grandiosa do que em nós há de divino, e espontaneamente passaremos a um domínio sobre nós mesmos. A perfeição consiste na conscientização das potencialidades do ser. É essa a proposta da educação espírita: desenvolver as potencialidades do ser pela própria conscientização de si mesmo. Eis o princípio da saúde física e moral. Vemos, assim, que em todos esses sentidos persiste a idéia de força, capacidade, a permanente disposição para "querer o bem". O agir virtuoso não é, porém, ocasional e fortuito, mas deve-se tornar um hábito, fundado no desejo de continuidade e na capacidade de perseverar no bem.

FONTE: Federação Espírita do Estado de São Paulo, REFORMA INTIMA, Curso básico de espiritismo, São Paulo. 2 ed., 2014.

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