DEFEITOS
E VIRTUDES
-
Como é considerada a palavra virtude em nossos dias?Até parece que esse termo
nem mais existe. Pouco se comenta de um modo geral sobre a virtude dos homens,
no passado tão valorizada.
-
Quem atualmente valoriza as qualidades virtuosas e as procura cultivar? Bem
poucos, podemos dizer; em escolas de formação religiosa busca-se ainda inculcar
nos alunos os valores espirituais, nas famílias tradicionais existe ainda a
preocupação com bons princípios e hábitos, retidão de caráter, o que parece
incompatível com os padrões sociais e os valores mundanos que caracterizam
nossos tempos. A preocupação com a ética, então, ficou para último plano, haja
vista a falta de moralidade que caracteriza nossa sociedade atual.
OS
DEFEITOS
1.
O QUE SÃO? QUAIS SÃO?
Por
defeitos entende-se, não somente os vícios, conforme já vimos, mas, sobretudo
nossas imperfeições do ponto de vista moral, entre as quais podemos citar: o
egoísmo, o orgulho, a inveja, o ódio, a vingança, a maledicência, a impaciência
e a intolerância, às quais nos referiremos em sequência mais adiante.
2.
POR QUE SUPERAR?
Porque
constituem impedimentos ao progresso moral, impedimentos a uma consciência
livre, na medida em que se permanece preso, escravo das próprias más
tendências. A causa de nossa infelicidade, portanto, não são os outros, mas
reside dentro de nós mesmos.
3.
COMO SUPERAR?
a)
É condição de uma batalha conhecer o melhor possível nossos inimigos e suas
tendências para não sucumbirmos ao seu ataque. Do mesmo modo, do ponto de vista
moral, cabe-nos conhecer os inimigos que na verdade habitam dentro de nós. b)
Necessitamos ainda daquela ferramenta importante: a vontade. Todo homem pode
ser bom e feliz; basta que o queira com energia e constância. c) A vivência do
amor é muito mais forte que o ódio. Quanto mais amamos, mais nos engrandecemos
e gradativamente nossos defeitos acabam por dissipar-se. Cada alma é um gerador
de amor, de força, cujo domínio sobre si aumenta à medida que se eleva.
AS
VIRTUDES
1
- O QUE SÃO? QUAIS SÃO?
Etimologicamente,
o termo virtude vem do latim virtus, que significa força. Em seu sentido
original significava "coragem", "força" do guerreiro. Mais
genericamente passou a significar poder ou aptidão de se fazer algo. No sentido
moderno e corrente significa capacidade ou potência própria do homem, de
natureza moral, disposição a prática do bem. A virtude, no seu grau mais
elevado, abrange o conjunto de qualidades essenciais que constituem o homem de
bem. (E.S.E., Cap. XVII, item 8) Influenciada pelo momento histórico em que
surgiu, a Doutrina Espírita fundamenta-se em uma ética iluminista,
para
a qual o conceito de virtude consiste em:
a)
intenção de fazer o bem
b)
desinteresse pessoal
c)
capacidade ou potência moral
A)
INTENÇÃO DE FAZER O BEM
-
Já vos respondi ao dizer que Deus julgaria a intenção, e que o fato em si teria
pouca importância para Ele. (L.E., 672)
-
Deus é justo e julga mais a intenção do que o fato. (L.E.,747)
É
assim que para a ética espírita, a virtude não consiste apenas nas boas
obras, mas na intenção, ou seja, não somente no que o homem faz, mas no que
ele "quer" fazer efetivamente.
Não é, pois, pelo conteúdo que uma ação é considerada virtuosa, mas antes
pela vontade, pela disposição de alma do indivíduo. O que não é feito por
afeição não produz nem bem nem mal na natureza da criatura.
B)
DESINTERESSE PESSOAL
Qual
a mais meritória de todas as virtudes?
-
Todas têm o seu mérito, porque todas são indícios de progresso no caminho do
bem. Há virtude sempre que há resistência voluntária ao arrastamento das
tendências, mas a sublimidade da virtude consiste no sacrifício do interesse
pessoal para o bem do próximo, sem segunda intenção. A mais meritória é aquela
que se baseia na caridade mais desinteressada. (L.E,893)
1)
Imperativo Hipotético: Consiste em se obedecer a um mandamento ou imperativo;
2)
Imperativo Categórico: consiste em se respeitar uma obrigação moral pela
alegria de fazê-lo, ou seja, o bem pelo bem, o amor pelo alegria de vivenciar o
amor, a virtude pela virtude.
-
É necessário fazer o bem por caridade, ou seja, com desinteresse. (L.E., 897)
-
Mas aquele que faz o bem sem segunda intenção, pelo prazer único de ser
agradável a Deus e ao seu próximo sofredor, já se encontra num grau de
adiantamento que lhe permitirá chegar mais rapidamente à felicidade do que o
seu irmão que, mais positivo, faz o bem por cálculo e não por ardor natural do
coração. (L.E., 897-a)
C)
CAPACIDADE OU POTÊNCIA - DE NATUREZA MORAL
"Sede
perfeitos, como vosso Pai celestial é perfeito." (Mt., 5:48)
"Não
está escrito na vossa lei: Eu disse: Sois deuses?" (jo., 10:34)
"O
reino dos céus está dentro de vós."
Todo o segredo da perfeição,
da felicidade, está na conscientização progressiva das potências divinas que
nos habitam. Cada um de nós é uma partícula do Absoluto, cabe-nos portanto a
manifestação cada vez mais grandiosa do que em nós há de divino, e
espontaneamente passaremos a um domínio sobre nós mesmos. A perfeição consiste
na conscientização das potencialidades do ser. É essa a proposta da educação
espírita: desenvolver as potencialidades do ser pela própria conscientização de
si mesmo. Eis o princípio da saúde física e moral. Vemos, assim, que em todos
esses sentidos persiste a idéia de força, capacidade, a permanente disposição
para "querer o bem". O agir virtuoso não é, porém, ocasional e
fortuito, mas deve-se tornar um hábito, fundado no desejo de continuidade e na
capacidade de perseverar no bem.
FONTE: Federação Espírita do Estado de
São Paulo, REFORMA INTIMA, Curso básico de espiritismo, São Paulo. 2 ed., 2014.

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