Não
podeis ser felizes, sem mútua benevolência, e como poderá esta existir
juntamente com o orgulho? O orgulho, eis a fonte de todos os males. Dedicai-vos
pois a tarefa de destruí-lo, se não quiserdes perpetuar as suas funestas consequências.
(E.S.E., Cap. VII item 12) Importa conhecer os impulsos que estão dentro de nós
mesmos. No entanto, o trabalho de prospecção interior deve ser suave. Não
podemos nos maldizer ou nos martirizar pelos defeitos que ainda temos. Como se
comporta a maioria dos homens com relação ao orgulho? Não serão os valores
deste momento que induzem ao orgulho? Quais são os valores de hoje que poderiam
levar o homem a orgulhar-se de si mesmo? Será que esses valores ainda são
importantes para nós? Em questão de virtude, a nossa percentagem de capricho
individual é invariavelmente enorme.
II
- CAUSAS DO ORGULHO
INSEGURANÇA
A
grande insegurança em nós mesmos nos leva a exaltar a nossa personalidade como
mecanismo de defesa, no sentido de encobrir algum aspecto que não aceitamos em
nós mesmos.
AMOR-PRÓPRIO
"Porque
todos buscam o que é seu e não o que é de Jesus Cristo. " - Paulo (Fp.,
2:21) Quando colocamos "nosso eu próprio" em qualquer situação,
devemos nos preparar para sofrer. É o Eu que se magoa, é o Eu que necessita ser
reconhecido. E como é pesado o fardo que carregamos do Eu. O esforço em defesa
de nossa Imagem, de nosso nome, de nosso prestígio, é mantido com a finalidade
de impressionar os outros, para que nos valorizem ou nos considerem, porque
assim passamos a gostar mais de nós mesmos. As pessoas não sabem o que
significa a paz que alcançam quando deixam cair a carga do seu ego. O eu
pessoal é uma posição que nos esforçamos por manter, e que por isso mesmo, é
penoso. Não somos nada daquilo que
acreditamos ser, nosso corpo, nossas coisas, nossa aparência, nossa reputação.
Somos o que vivemos interiormente. Todos os homens buscam ligação com Deus, mas
ainda se acham distantes da comunhão com a essência divina. Jesus não se
importava com a sua pessoa, mas sentia-se como um canal de expressão dos
mananciais divinos. É assim que quanto
mais nos fechamos para o Eu, mais nos abrimos para Deus. Quanto menores formos
para o mundo, maiores seremos perante Deus e a nossa consciência.
VALORES
MUNDANOS
Aquele
que não encontra a felicidade senão na satisfação do orgulho e dos apetites
grosseiros é infeliz quando não os pode satisfazer, enquanto que aquele que não
se interessa pelo supérfluo se sente feliz com aquilo que, para os outros,
constituiria infortúnio. (L. E, 933) O sentimento de orgulho está vinculado à
questão de valores. Geralmente o orgulhoso é aquele que dá muita importância
aos valores mundanos, e julga-se superior, por tal, perante os homens. No entanto, existem aqueles que
"desejam" com veemência, as coisas deste mundo. Compara-se a
felicidade à conquista de coisas supérfluas, quando, na verdade, a felicidade
consiste precisamente na ausência de desejos. A humildade consiste justamente
em um estado de ânimo que não vise, sem medida, às coisas mais altas.
III
- EM QUE CONSISTEM O ORGULHO E A HUMILDADE?
O
ORGULHO
O
orgulho consiste, em suma, no elevado conceito que alguém faz de si mesmo, na
estima excessiva de si mesmo. Vemos assim que na raiz do orgulho está também o
egocentrismo. Sob esse aspecto o orgulho é um tirano que torna o homem escravo
de si mesmo. Eis assim as características do comportamento orgulhoso, segundo O
Evangelho Segundo o Espiritismo: O orgulho vos
induz a julgardes mais do que sois, a não aceitar uma comparação que vos
possa rebaixar, e a vos considerardes, ao contrário, tão acima dos vossos irmãos, quer em espírito, quer em posição social, quer mesmo em vantagens
pessoais, que o menor paralelo vos irrita e aborrece. E o que acontece, então?
Entregai-vos à cólera. (ESE.,Cap.IX, item 9)
Entre
essas características destacam-se, pois, o fato de o orgulhoso:
• não aceitar
críticas, não aceitar seus erros;
• querer ser o centro
de atenções;
• apreciar ser
elogiado;
• menosprezar o
próximo;
• dar demasiada
importância a aparência exterior, posição social e prestígio pessoal;
• aborrecer-se quando
contrariado.
Todas
essas características constituem enormes bloqueios de sentimento, e constituem
verdadeiras barreiras para o homem vivenciar a interioridade de forma liberta e
plenamente.
A
HUMILDADE
Bem-aventurados
os pobres de espirito, porque deles é o Reino dos Céus. (Mt., 5:3)
A
Humildade é a virtude pela qual o homem, com sincero reconhecimento de si
mesmo, avilta a si mesmo. Ser pobre de espírito é ter grande estima por aquilo
que toca o coração, e não com o brilho que encanta os olhos. Ser humilde é
vivenciar ausência de espírito de competição e de vanglória.
Estes
vivenciam uma conciliação exterior com Deus. Esquecem-se que é mais real a
satisfação interior na consciência gloriosa - que faz-se pequena perante o
mundo pela alegria do amor que vive no santuário do seu coração do que a glória
exterior perante os homens na consciência em conflito. A humildade é própria
daqueles que, por serem autênticos consigo mesmos, sempre se sentem menores. Só
é humilde aquele que tem consciência de Deus e da sua essência como amor.
Geralmente, o orgulho é decorrência da falta de convicção em Deus e em si
mesmo. Grande é aquele que reconhece a própria pequenez ante a vida infinita.
Aquele que sente a grandeza da essência de sua alma, aquele que se sente feliz
interiormente, não precisa da aprovação dos homens. A alegria interior é oposta
à alegria do mundo. Todo o que se exalta será humilhado, todo o que se humilha
será exaltado. (Lc., 14: 11)
É
assim que Jesus vivenciou em si mesmo seus ensinamentos. Fez-se o menor perante
os homens, mas o maior de todos perante Deus. Demonstrou que os valores do
mundo são inversos aos valores do Espírito. Da injustiça dos homens ensinou-nos
a justiça perante Deus; vítima do ódio dos homens, deixou uma lição de
amor; na humildade da manjedoura nos ensinou a grandeza perante Deus. Rebaixou
a si mesmo igualando-se aos homens da época, vivendo entre os marginalizados e
excluídos da sociedade.
FONTE: Federação Espírita do Estado de
São Paulo, REFORMA INTIMA, Curso básico de espiritismo, São Paulo. 2 ed., 2014.

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