terça-feira, 16 de junho de 2020

ORGULHO E HUMILDADE - ANO 01 - EDIÇÃO 07 - NOVEMBRO DE 2019




Não podeis ser felizes, sem mútua benevolência, e como poderá esta existir juntamente com o orgulho? O orgulho, eis a fonte de todos os males. Dedicai-vos pois a tarefa de destruí-lo, se não quiserdes perpetuar as suas funestas consequências. (E.S.E., Cap. VII item 12) Importa conhecer os impulsos que estão dentro de nós mesmos. No entanto, o trabalho de prospecção interior deve ser suave. Não podemos nos maldizer ou nos martirizar pelos defeitos que ainda temos. Como se comporta a maioria dos homens com relação ao orgulho? Não serão os valores deste momento que induzem ao orgulho? Quais são os valores de hoje que poderiam levar o homem a orgulhar-se de si mesmo? Será que esses valores ainda são importantes para nós? Em questão de virtude, a nossa percentagem de capricho individual é invariavelmente enorme.

II - CAUSAS DO ORGULHO

 INSEGURANÇA
A grande insegurança em nós mesmos nos leva a exaltar a nossa personalidade como mecanismo de defesa, no sentido de encobrir algum aspecto que não aceitamos em nós mesmos.

AMOR-PRÓPRIO
"Porque todos buscam o que é seu e não o que é de Jesus Cristo. " - Paulo (Fp., 2:21) Quando colocamos "nosso eu próprio" em qualquer situação, devemos nos preparar para sofrer. É o Eu que se magoa, é o Eu que necessita ser reconhecido. E como é pesado o fardo que carregamos do Eu. O esforço em defesa de nossa Imagem, de nosso nome, de nosso prestígio, é mantido com a finalidade de impressionar os outros, para que nos valorizem ou nos considerem, porque assim passamos a gostar mais de nós mesmos. As pessoas não sabem o que significa a paz que alcançam quando deixam cair a carga do seu ego. O eu pessoal é uma posição que nos esforçamos por manter, e que por isso mesmo, é penoso.  Não somos nada daquilo que acreditamos ser, nosso corpo, nossas coisas, nossa aparência, nossa reputação. Somos o que vivemos interiormente. Todos os homens buscam ligação com Deus, mas ainda se acham distantes da comunhão com a essência divina. Jesus não se importava com a sua pessoa, mas sentia-se como um canal de expressão dos mananciais divinos.  É assim que quanto mais nos fechamos para o Eu, mais nos abrimos para Deus. Quanto menores formos para o mundo, maiores seremos perante Deus e a nossa consciência.

VALORES MUNDANOS
Aquele que não encontra a felicidade senão na satisfação do orgulho e dos apetites grosseiros é infeliz quando não os pode satisfazer, enquanto que aquele que não se interessa pelo supérfluo se sente feliz com aquilo que, para os outros, constituiria infortúnio. (L. E, 933) O sentimento de orgulho está vinculado à questão de valores. Geralmente o orgulhoso é aquele que dá muita importância aos valores mundanos, e julga-se superior, por tal, perante os homens.  No entanto, existem aqueles que "desejam" com veemência, as coisas deste mundo. Compara-se a felicidade à conquista de coisas supérfluas, quando, na verdade, a felicidade consiste precisamente na ausência de desejos. A humildade consiste justamente em um estado de ânimo que não vise, sem medida, às coisas mais altas.

III - EM QUE CONSISTEM O ORGULHO E A HUMILDADE?
O ORGULHO
O orgulho consiste, em suma, no elevado conceito que alguém faz de si mesmo, na estima excessiva de si mesmo. Vemos assim que na raiz do orgulho está também o egocentrismo. Sob esse aspecto o orgulho é um tirano que torna o homem escravo de si mesmo. Eis assim as características do comportamento orgulhoso, segundo O Evangelho Segundo o Espiritismo: O orgulho vos  induz a julgardes mais do que sois, a não aceitar uma comparação que vos possa  rebaixar, e a vos  considerardes, ao  contrário, tão acima dos vossos  irmãos, quer em espírito, quer em  posição social, quer mesmo em vantagens pessoais, que o menor paralelo vos irrita e aborrece. E o que acontece, então? Entregai-vos à cólera. (ESE.,Cap.IX, item 9)
Entre essas características destacam-se, pois, o fato de o orgulhoso:
• não aceitar críticas, não aceitar seus erros;
• querer ser o centro de atenções;
• apreciar ser elogiado;
• menosprezar o próximo;
• dar demasiada importância a aparência exterior, posição social e prestígio pessoal;
• aborrecer-se quando contrariado.
Todas essas características constituem enormes bloqueios de sentimento, e constituem verdadeiras barreiras para o homem vivenciar a interioridade de forma liberta e plenamente.

A HUMILDADE
Bem-aventurados os pobres de espirito, porque deles é o Reino dos Céus. (Mt., 5:3)
A Humildade é a virtude pela qual o homem, com sincero reconhecimento de si mesmo, avilta a si mesmo. Ser pobre de espírito é ter grande estima por aquilo que toca o coração, e não com o brilho que encanta os olhos. Ser humilde é vivenciar ausência de espírito de competição e de vanglória.
Estes vivenciam uma conciliação exterior com Deus. Esquecem-se que é mais real a satisfação interior na consciência gloriosa - que faz-se pequena perante o mundo pela alegria do amor que vive no santuário do seu coração do que a glória exterior perante os homens na consciência em conflito. A humildade é própria daqueles que, por serem autênticos consigo mesmos, sempre se sentem menores. Só é humilde aquele que tem consciência de Deus e da sua essência como amor. Geralmente, o orgulho é decorrência da falta de convicção em Deus e em si mesmo. Grande é aquele que reconhece a própria pequenez ante a vida infinita. Aquele que sente a grandeza da essência de sua alma, aquele que se sente feliz interiormente, não precisa da aprovação dos homens. A alegria interior é oposta à alegria do mundo. Todo o que se exalta será humilhado, todo o que se humilha será exaltado. (Lc., 14: 11)
É assim que Jesus vivenciou em si mesmo seus ensinamentos. Fez-se o menor perante os homens, mas o maior de todos perante Deus. Demonstrou que os valores do mundo são inversos aos valores do Espírito. Da injustiça dos homens  ensinou-nos  a justiça perante Deus; vítima do ódio dos homens, deixou uma lição de amor; na humildade da manjedoura nos ensinou a grandeza perante Deus. Rebaixou a si mesmo igualando-se aos homens da época, vivendo entre os marginalizados e excluídos da sociedade.  

FONTE: Federação Espírita do Estado de São Paulo, REFORMA INTIMA, Curso básico de espiritismo, São Paulo. 2 ed., 2014.

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