Busquemos indagar por que em algumas
vezes temos sentimento de inveja ou ciúmes. Quais as causas que nos levam a
deixar-se envolver por tal sentimento? Será por apego, por inconformação? É
possível sermos felizes em profundidade, quando ainda invejamos o próximo? Que
tipo de sentimento experimentamos nesses momentos?
POR QUE SUPERAR?
Inveja e ciúme! Felizes os que não
conhecem esses dois germes vorazes. Com a inveja e o ciúme não há calma, não há
repouso possível. Para aquele que sofre desses males, os objetos da sua cobiça,
de seu ódio e do seu despeito se erguem diante dele como fantasmas que não o
deixam em paz e o perseguem até no sono. O invejoso e o ciumento vivem em um
estado de febre contínua. (L.E, 933) Os sofrimentos materiais são, às vezes,
independentes de nossa vontade, mas a inveja, o ciúme, todas as paixões são
suplícios voluntários, que tornam o homem escravo de seus próprios sentimentos.
Às vezes, a inveja não tem um objeto determinado, mas há pessoas que se mostram
naturalmente ciumentas de todos aqueles que parecem estar em um plano superior,
seja do ponto de vista material, social, profissional e até mesmo espiritual.
Tal sentimento paralisa a sensibilidade amorosa da alma. Onde há inveja não
pode haver amor. No ciúme há mais amor-próprio do que amor verdadeiro. Importa
pois superar esse sentimento, se quisermos nos libertar espiritualmente das
cadeias que nós mesmos criamos, pois o homem é o único artífice de seus próprios sentimentos morais.
CAUSAS
O DESEJO, O APEGO, A AMBIÇÃO.
A primeira causa do sentimento de inveja
é o desejo de possuir algo que vemos em alguém ou na propriedade de alguém. Só
temos inveja pela importância que damos às coisas deste mundo. Aprendei a
contentar-vos com pouco. (E.S.E" Cap. XVI, item 14) O mais rico é o que
tem menos necessidades. (L.E., 926) Quem quiser pois, ser verdadeiramente rico,
não aumente a riqueza material apenas,
mas diminua a idéia na cabeça. Na verdade, não é pobre o que tem pouco, mas sim
o que deseja muito. A inveja ou o ciúme é um sentimento moral que parte de
nossos pensamentos. Ciumento é aquele que coloca lentes de aumento em coisas
insignificantes. Invejoso é aquele que faz de pequenas, grandes coisas; que
transformam momentos passageiros e ilusórios, em verdades eternas.
INCONFORMAÇÃO
"Não sejamos ávidos de vanglória.
Nada de provocação, nada de invejas entre nós. "(GI., 5:26) Pergunta-se,
comumente, por que Deus concede a fortuna a pessoas incapazes de frutificar
para o bem de todos. Ora, essa é uma prova da bondade de Deus, que dá condições
infinitas a cada um de chegar ao bem por seus próprios esforços. Importa,
porém, o uso que se faz das dádivas que nos são acrescentadas por empréstimo de
Deus; o que hoje não as têm, já as teve no passado; e o que hoje as possui,
poderá não tê-las amanhã. Essa inconformação é decorrente de nossa limitada
compreensão da Lei de Causa e Efeito. A falta de resignação é própria daqueles
que desconhecem a justiça divina. A Lei do Amor é a mesma para todos, porém
suas consequências variam de acordo com a qualidade interior, a intensidade de
amor que imprimimos ao nosso trabalho, independente da quantidade exterior
(aparente) para o mundo.
CONSEQUÊNCIAS
A) Por vezes, ao constatarmos nos outros
algo que desejaríamos possuir, manifestamos, mesmo sem perceber, uma vibração
de ódio gratuito para com eles, como se fossem culpados pela nossa condição. B)
Por outro lado, o sentimento de inveja prejudica também a nós mesmos.
COMO
SUPERAR?
O
DESPRENDIMENTO
Geralmente o homem possui uma
preocupação excessiva com os bens materiais, enquanto dá pouca importância ao
aperfeiçoamento moral, o único que será levado em conta na eternidade. Há bens
infinitamente mais preciosos que os do mundo, e esse pensamento deve nos ajudar
a nos desprender deles. Quanto menos importância dermos às coisas do mundo,
menos sensíveis seremos à inveja e menos sofreremos pela nossa condição. O
homem só é infeliz, geralmente, pela importância que liga as coisas deste
mundo. A vaidade, a ambição e a cupidez fracassada o fazem infeliz. Se ele se
elevar acima do círculo estreito da vida material se elevar seu pensamento ao
infinito, que é o seu destino, as vicissitudes da Humanidade lhe parecerão
mesquinhas e pueris. Importa, portanto, querermos ser mais puros, por ser mais
livres; mais alegres porque mais controlados; mais serenos porque menos
dependentes. Ao supervalorizarmos os bens mundanos,
estamos vivenciando o amor a si, ao passo que na alegria sentida por tudo que o
outro é e possui, está o amor ao próximo, e no reconhecimento por tudo que
somos e possuímos, está o amor a Deus. Portanto, a inveja e o carecer
deslustram o amor, ao passo que apenas o sentimento de gratidão pode nutrir
nosso impulso feliz de generosidade – não uma gratidão afetiva apenas, mas uma
gratidão ativa.
FONTE: Federação Espírita do Estado de
São Paulo, REFORMA INTIMA, Curso básico de espiritismo, São Paulo. 2 ed., 2014.

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