terça-feira, 16 de junho de 2020

ÓDIO E PERDÃO - ANO 01 - EDIÇÃO 09 - NOVEMBRO DE 2019




É incrível em nossos dias a crescente onda de violência entre as criaturas, a reagirem por nada, sacando uma arma e cometendo, até involuntariamente, trágicos crimes nas ruas, no trânsito, até mesmo nos meios familiares. E como se não bastasse, o assunto é explorado pela imprensa; rádios e emissoras de televisão, nas disputas de maiores audiências, além de ocuparem os temas preferidos nos filmes policiais e de guerra. Somos induzidos, portanto, por essas imagens, emoções fortes, que fixam-se no subconsciente, e que tanto influenciam nosso estado de espírito, assim como nossas atitudes. Importa a nós, que buscamos viver uma conduta cristã, dar testemunhos de brandura, de compreensão e de perdão, contribuindo assim para o meio em que vivemos e para nossa própria felicidade.

O QUE É ÓDIO?

O ódio é uma manifestação dos sentimentos ainda primitivos do homem natural ou animal, que ainda guarda no espírito resquícios do instinto de conservação, sob as formas de defesa, de resistência. Se em seu estado natural, primeiro, o homem reagia fisicamente à agressão exterior, esta reação agora transferiu-se para questões morais: não reagimos apenas a agressões físicas, mas a toda situação em que nosso amor-próprio for ferido.

CAUSAS

a) Em geral, o ódio é despertado por humilhações sofridas, ou quando injustiçados, maltratados, traídos no afeto, na  confiança, ou quando ofendidos. b) Existe ainda casos de antipatia irrefletida, indecifrável, que por vezes sentimos, e que explicam ódios recônditos de outras existências. c) As manifestações de ódio são ainda sempre intensificadas por espíritos inferiores, toda vez que abrimos campo para infiltrações maldosas, ou descemos nosso nível vibratório ao alcance deles.

CONSEQUÊNCIAS

Os sentimentos decorrentes do ódio são, primeiramente o rancor, que é a própria permanência dele; ficamos alimentando sentimentos contra alguém, nas promessas feitas a nós mesmos de revide. Em segundo lugar surge a própria vingança, seja através de pensamentos, palavras ou atos.

POR QUE SUPERAR?

Se ponderasse que a cólera nada soluciona, que lhe altera a saúde e compromete a sua própria vida, reconheceria ser ele próprio a sua primeira vitima.  É muito infeliz aquele que necessita odiar. E quão feliz é aquele que ama, que vive essa alegria interior, e a  faz esparzir a todos ao seu redor. O ódio é tão contrário à nossa natureza, que suas pesadas vibrações acabam por afetar nossa própria saúde. A maior parte das doenças não está no físico, mas é causada pelos próprios sentimentos negativos que alimentamos. A maioria de nós homens tem momentos de fraqueza, em que vivenciamos por vezes sentimentos negativos, nas situações até mais insignificantes. No entanto, essas vivências não excluem a possibilidade de o indivíduo ser virtuoso ou de possuir até um coração amoroso. O ódio, porém, constitui o maior obstáculo ao amor, e portanto o maior obstáculo à felicidade. Por vezes, desperdiçamos momentos ricos de iluminação interior, por vezes desperdiçamos toda uma vida mantendo-nos imantados a alguém pelo sentimento de ódio. Importa, pois, superar esse sentimento contrário à principal lei que rege as relações entre os homens: a lei do amor.

COMO SUPERAR?

NO CASO DOS PENSAMENTOS
Buscando afastar de nossos pensamentos as idéias de revide os planos de vingança, os propósitos de reivindicar direitos por ofensas injustas.

NO CAMPO DAS PALAVRAS
Podemos incluir no campo das palavras o silenciar na hora propícia. É melhor arrepender-se por algo que deixamos de falar do que por algo que já foi dito, e não podermos mais voltar atrás.

O QUE É O PERDÃO?

Perdoar é um grande desafio para todos nós, nas menores coisas que nos envolvem; alguém nos resvala por descuido na rua, já recebe nossa reclamação; aquele que toma a frente na fila do ônibus é logo puxado para trás; um cumprimento menos atencioso do vizinho já nos torna inimigos ferrenhos. Centralizamos em nós mesmos a importância de tudo e não percebemos o sentido coletivo da nossa existência. É sempre o eu, o meu, em mim, ou seja, o egocentrismo. Se perdoardes aos homens as ofensas que vos  fazem, também vosso Pai Celestial vos perdoará os vossos pecados. (Mt. 6: 14) O perdão é complemento da mansuetude, pois os que não são mansos e pacíficos não conseguem perdoar. Geralmente aquele que não consegue perdoar é uma alma sempre inquieta, insatisfeita consigo mesma, de uma sensibilidade amargurada. Aquele que perdoa é calmo, liberto, cheio de mansuetude. Perdoar alguém é receber perdão do Pai, pois libertamos a nós mesmos perante Deus. Mas há duas maneiras bem diferentes de perdoar: há o perdão dos lábios e o perdão do coração. Muitos dizem "eu perdoo, mas nunca esqueço do que ele me fez." Ora, este não é o verdadeiro perdão. O que é, de fato, perdoar? Segundo a referida passagem do Evangelho, o verdadeiro perdão consiste em esquecer o mal que nos tenham feito. No entanto, não podemos entender o "esquecimento" a que o Evangelho nos convida como o fato de "apagar as faltas" de alguém, pois não podemos considerar o que já aconteceu como anulado, como se não tivesse acontecido. Perdoar não é apagar os fatos, mas apagar o sentimento negativo em nós, ou seja, o verdadeiro perdão consiste em cessar de odiar. Perdão é a "virtus" que triunfa sobre o ódio, sobre o rancor. Perdoar é renunciar à vingança, é deixar de odiar, e por isso, quem ama verdadeiramente nem precisa perdoar, pois nunca se magoa. Jesus era consumido por um amor, mas um amor universal, e por isso dizia, mesmo ao sua vida ser sacrificada: "Pai, perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem. " (Lc, 23 :34) Na impossibilidade de vencermos o ódio em nossos agressores, busquemos pelo menos dominar a nós mesmos. O amor é uma alegria, mas o ódio é uma tristeza a mais, e não no culpado, mas em quem a sente. No entanto ... se por vezes fracos, aprendamos a nos perdoar também!

FONTE: Federação Espírita do Estado de São Paulo, REFORMA INTIMA, Curso básico de espiritismo, São Paulo. 2 ed., 2014.

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